Nunca consigo pensar devagar. Ou com vagar.
Não tenho muito.
Saber a quantas ando é uma tarefa terrível porque nunca fui boa com contas.
Tu não sabes quase nada. Quase nada do que me vai por dentro.
Tu não sabes de que cor pinto os dias ou o que sou capaz de ler.
Não sabes das vezes que tropeço nas palavras e nos nós que não consigo desatar.
Não sabes em que chão posso acordar depois de passear por dentro de noites que nunca acabam ao pé de ti.
Tu não sabes quase nada. Do que me vai por dentro quando não encontro a chave.
Não sei dizer-te o que oiço cá dentro quando estou sozinha. Nem sequer sei-dizer-te as palavras todas pela ordem em que me assaltam. Sinto que fico sempre longe do que quero que sintas perto.
Tu não sabes o que digo quando calo.
Não sabes o que calo quando grito.
Não sabes quase nada do que me faz.
Tremer.
Temer.
Ceder.
Viver.
Tu não sabes. Se nem eu.
Tu não sabes o quanto preciso de ti
Cristina Gameiro, aqui
