Para isso acontecer, seria importante haver uma maior dinâmica entre as unidades vocacionadas para o turismo e o município, com vista à criação de uma ligação mais informal e dinâmica entre estes parceiros.
À exiguidade de propostas turísticas, acresce o facto de a parca oferta turística não estar organizada, o que dificulta ainda mais a venda dos produtos turísticos existentes.
Em bom rigor, o que falta é um Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Turismo da cidade e do concelho de Oliveira do Bairro (PEDTOB), o qual, antes de apontar para a criação de novas infraestruturas, aponte claramente para as mais-valias que já existem.
Na elaboração desse PEDTOB teria os seguintes objectivos:(1) inventariar e propor a integração dos recursos disponíveis no concelho e respectiva afectação ao turismo;(2) identificar a procura turística actual e potencial;(3) delinear a análise competitiva do concelho;(4) avaliar e propor uma estratégia de marketing a nível do concelho e da área promocional de Oliveira do Bairro;(5) desenvolver os instrumentos de planeamento e de operacionalização dessa estratégia;(6) contribuir para o envolvimento dos vários parceiros promovendo a sua participação na formulação do plano.
Do que se deixa dito, extrai-se claramente que o PEDTOB tem de contemplar uma visão estratégica supramunicipal, que gira riqueza e promova o concelho duma forma geral e a sede do concelho de uma forma particular.
Trata-se no entanto, de uma aposta que deve, essencialmente, ser alavancada pelos agentes privados, cumprindo ao município a obrigação da sua divulgação, desse modo facilitando a tarefa dos eventuais interessados em investir na área turística, gerando sinergias para criar a marca do concelho, um embrulho que ofereça as actividades.
Tendo em conta o seu carácter simbólico e identitário, o espaço físico do troço da EN 235 que atravessa a cidade de Oliveira do Bairro ficará, efectivamente enobrecido, tornando-se mais atractivo e confortável para a população.
Mas apesar da incontornável afectividade e simbolismo desta área para os oliveirenses, a ausência de controle da presença do automóvel em claro favor da circulação pedonal e ciclável, dotando-a de uma imagem de contemporaneidade afirmativa da cidade, dificilmente conduzirá à incrementação da sua vivência, aumentando-se a respectiva qualidade ambiental e formal.
E assim, não obstante terem sido, alegadamente, interpretados diferentes momentos da história da cidade, o que é certo é que esse espaço central da urbe permanecerá inalterado nas formas em que se materializou, uma acomodação que faz com que o maior investimento alguma vez feito no concelho não consiga, afinal, afirmar-se como catalizador de transformações necessárias.
Em bom rigor, o elevado custo da nova obra acaba por não permitir a devolução do espaço central da cidade a um uso que acompanhe os novos tempos e dê a réplica adequada aos desafios que são colocados aos habitantes da cidade, uma vez que a tacanhez do seu desenho conceptual não consagra a apropriação pelos cidadãos de um espaço que possa, verdadeiramente, ser percepcionado como central na construção dos valores identitários, e que dessa forma permita a acomodação de novos usos a uma vivência urbana.
E por fim, voltemos aos álamos, essas árvores com qualidades ornamentais e de crescimento rápido, e que criam um belo efeito visual quando arranjadas em renques ao longo de passeios, mas cuja plantação não é aconselhável a menos 15 metros de distância de construções ou canalizações subterrâneas, tendo em conta a agressividade do seu raizame, sempre em busca de humidade, o que faz com que nos dias de hoje não sejam uma boa opção para o paisagismo urbano.
Talvez por esta realidade, os álamos não são as árvores preferidas para plantação nos espaços verdes da nova avenida, parecendo mais razoável a opção por árvores autóctones, uma forma se manter o coberto vegetal original do território de Oliveira do Bairro.
Pode, por isso, haver amieiros ou carvalhos, castanheiros ou loureiros, bétulas ou sobreiros; e até pode haver sobreiros iguais àquele que, outrora, esteve verdejante na entrada poente da cidade e que a incúria ou a ignorância condenou ao abate, ou tílias como a que, imponente, esteve na zona fronteira da actual sede de junta de freguesia; mas é seguro que não há álamos.
É também por tudo isto que não pode dizer-se que àmanhã, em Oliveira do Bairro será inaugurada uma Alameda...
Uma Alameda que, de qualquer modo, nunca existiria mesmo que as bordaduras da via estivessem hoje pejadas de frondosos álamos!
(Fim)