terça-feira, 19 de março de 2013

ERA UMA VEZ...

HISTÓRIAS EM QUADRADINHOS
Numa folha de papel quadriculado passa-se cada coisa... 

Às vezes, passam-se contas. É o mais normal. Nem sempre as contas batem certo, apesar dos quadrados quadradinhos, muito certinhos, terem sido feitos para contas muito bem contadas, certeiras, certinhas, acertadas. 


Quando a conta não está certa, risca-se ou apaga-se. A folha quadriculada tudo consente, mas no fundo, é muito exigente. 

Mas há mais: onde estão contas, podem estar contos... 

Às vezes, numa folha de papel quadriculado, acontecem histórias. São estas as autênticas, as primeiras histórias em quadradinhos. Como a que vamos contar. 

Numa folha de papel quadriculado dum caderno escolar, encontraram-se um quadrado, completamente quadrado, e um triângulo muito triângulo. E muito impertinente. 

Dizia o triângulo para o quadrado: 
- Estás sempre na mesma. És quadrado, só quadrado e, dês as voltas que deres, ficas sempre quadrado. Pff! Que figura geométrica mais sem jeito. Que monotonia. 

O quadrado calado, muito calado, só ouvia. 

Continuava o triângulo: 
- Eu sim, sou variável. Umas vezes faço-me triângulo equilátero. Outras, isósceles. Outras, escaleno. Sou um triângulo de muitas formas e feitios. Gosto de variar. 

O quadrado calado, calado ficou. Então o triângulo arrebitado espevitou-o: 
- Não dizes nada? Vê-se que estás amachucado com a minha sapiência, com a minha variedade. Não é assim, ó quadrado? 

Então o quadrado não se conteve mais e ripostou: 
- Vai falando, vai, triângulo presunçoso, mas olha que iguais a ti já eu tenho dois, cá dentro! 

Então o triângulo ficou tão enfiado que pediu a uma borracha que o apagasse.

António Torrado e Cristina Malaquias, aqui