quinta-feira, 14 de março de 2013

BOCAS FOLEIRAS


Temos a sensação de que, nos enganamos muito ou há alguns sinais positivos de que nem todos os nossos sacrifícios têm caído em saco roto, apesar de muita gente preferir, por questões ideológicas, o quanto pior melhor (para os seus desígnios é preferível a terra queimada, tal como no PREC, de má experiência e resultados)

É verdade que somos a 8ª nação mais pobre da Europa, (sempre o fomos, de tesos armámos em ricos) mas o nosso espanto até vai mais para o colosso económico que foi Espanha, ocupando a 3ª posição. 


É verdade que o desemprego desocupa 930 mil pessoas, um drama social de repercussões imprevisíveis, mas a verdade é que uma das agências de notação já nos subiu na escala. Somos lixo ainda, mas o governo ganhou o direito a nota de estável. 

Alguns comentadores consideram isso um acréscimo de confiança internacional. 

Há, também por isso, a possibilidade do país ter mais tempo para pagar a dívida e o castigo dos quatro mil milhões e tal ser repartido por 3 anos, esperança que deixámos em crónica anterior.

Por outro lado, o Governo elaborou um pacote de medidas no sentido do arranque económico. Uma delas será injectar milhares de milhões na construção civil, o grande motor, sobretudo na reabilitação urbana, a nível nacional, e na internacionalização. 

A construção de prédios em altura ou moradias foi chão que deu uvas, mas não dá mais, apenas dores de cabeça para os proprietários e crédito mal parado em relação aos bancos que, descapitalizados também por este motivo, não têm dinheiro para financiar empresas que vivem em contínuos sobressaltos e fazem muita ginástica para manter os postos de trabalho, ainda que possam, numa ou noutra situação, pagar o salário mínimo (baixo).

Nesta fase é importante o posto de trabalho e, logo que possível, é justo que se aumente. Vêm às televisões empresas que fazem aumentos, como a EDP. Mau exemplo, porque neste caso, somos nós que os aumentamos, sobrecarregados com umas alcavalas. 

Somos pelos aumentos que farão aumentar o consumo interno, entendemos a posição dos patrões, da UGT, mas já não entendemos a parvoíce dos que insinuam o abaixamento, como estímulo. 

Caso de António Borges e outros. Eles, sim, deveriam dar o exemplo, ganhando menos e não darem bocas foleiras.

Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 14 de Março de 2013