António Borges, consultor do
governo para as privatizações e seu mau conselheiro, como se tem visto, voltou
com o seu ar agressivo, a arremessar achas para a fogueira em que está a arder
o país.
Não foram só os 100 mil hectares de mata que arderam com muitos fogos,
postos por inimigos da floresta e do povo, há outros incendiários na órbita
política.
Há gente excitada, que, perdendo o pé, em vez de estar calada, diz
asneiras na defesa das más práticas do executivo de Passos Coelho.
Primeiro, foi
Carlos Moedas que lhes deu uma roda de choramingas, sempre se lamentando do
fecho da torneira do crédito, mas agora que o governo lhes queria dar a mão, em
vez de agradecer, foram ingratos e respingaram. Agora, foi António Borges que,
talvez para justificar o chorudo ordenado, veio provocar a classe, que é o
motor real da economia, ao afirmar que os “empresários que se apresentaram
contra a medida são completamente ignorantes”.
E mais coisas de arruaceiro
primário. Isso mostra que não basta ser académico para mostrar por vezes a
doutoral burrice. Claro, Borges teve uma resposta à altura de António Saraiva,
presidente da CIP: “a maioria dos empresários não contrataria António Borges”.
Este é o tipo de gente que o povo dispensa.
Ou como afirmou Diogo Feio: “as
palavras de António Borges são o contrário do que o país precisa” – gente de
barba e de bom senso. Bom senso que não teve a ministra da Justiça, a propósito
da investigação de três ex-ministros do PS, por supostas trafulhices, afirmando
que ninguém fica impune (mas vai ficando), ninguém ficará acima da lei (mas assim tem sido).
Se é verdade, o momento e as
circunstâncias só recomendavam silêncio. A haver remodelação do governo, que se
evite gente tipo Relvas, que alguém se lembre que tanta gente “agarotada” (sem
ofensa) junta não se salva e muito menos é capaz de salvar o país.
Basta de
coladores de cartazes, borradores da escrita e detentores de apêndices
semelhantes.
Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 4 de Outubro de 2012
