quinta-feira, 4 de outubro de 2012

DOUTORAL BURRICE


António Borges, consultor do governo para as privatizações e seu mau conselheiro, como se tem visto, voltou com o seu ar agressivo, a arremessar achas para a fogueira em que está a arder o país

Não foram só os 100 mil hectares de mata que arderam com muitos fogos, postos por inimigos da floresta e do povo, há outros incendiários na órbita política. 

Há gente excitada, que, perdendo o pé, em vez de estar calada, diz asneiras na defesa das más práticas do executivo de Passos Coelho. 

A posição sensata dos empresários quanto à Taxa Social Única de 7%  penalizadora dos trabalhadores e que não fazia sair a economia do impasse em que se encontra, (medida que combatemos, apesar de empresários), em vez se ser um aviso, serviu para ofendê-los.

Primeiro, foi Carlos Moedas que lhes deu uma roda de choramingas, sempre se lamentando do fecho da torneira do crédito, mas agora que o governo lhes queria dar a mão, em vez de agradecer, foram ingratos e respingaram. Agora, foi António Borges que, talvez para justificar o chorudo ordenado, veio provocar a classe, que é o motor real da economia, ao afirmar que os “empresários que se apresentaram contra a medida são completamente ignorantes”. 

E mais coisas de arruaceiro primário. Isso mostra que não basta ser académico para mostrar por vezes a doutoral burrice. Claro, Borges teve uma resposta à altura de António Saraiva, presidente da CIP: “a maioria dos empresários não contrataria António Borges”. Este é o tipo de gente que o povo dispensa. 

Ou como afirmou Diogo Feio: “as palavras de António Borges são o contrário do que o país precisa” – gente de barba e de bom senso. Bom senso que não teve a ministra da Justiça, a propósito da investigação de três ex-ministros do PS, por supostas trafulhices, afirmando que ninguém fica impune (mas vai ficando), ninguém ficará acima da lei (mas  assim tem sido). 

Se é verdade, o momento e as circunstâncias só recomendavam silêncio. A haver remodelação do governo, que se evite gente tipo Relvas, que alguém se lembre que tanta gente “agarotada” (sem ofensa) junta não se salva e muito menos é capaz de salvar o país.

Basta de coladores de cartazes, borradores da escrita e detentores de apêndices semelhantes.

Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 4 de Outubro de 2012