A candidatura da Universidade de Coimbra (UC) a Património da Humanidade pela UNESCO será formalizada em Janeiro, valorizando o papel da instituição de ensino na promoção da cultura portuguesa no mundo ao longo dos séculos, anunciou esta quinta-feira o reitor.
João Gabriel Silva disse em Coimbra que a candidatura, abrangendo o conjunto constituído pela UC, Alta da cidade e rua da Sofia, na Baixa, será apresentada publicamente no início do ano, em data a anunciar, com a presença do secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas. "Não havendo percalços, a decisão sobre a candidatura deverá ser anunciada no final de 2013", adiantou, explicando que o processo será entregue na sede da UNESCO, em Paris, "até ao fim de Janeiro".
O reitor João Gabriel Silva falava na cerimónia de constituição pública da Associação Univer(sc)idade - Recriar Universidade, Alta e Sofia (RUAS), que decorreu na Sala do Senado da Universidade de Coimbra, fundada em 1290 pelo rei D. Dinis. A RUAS, que integra a Universidade, a Câmara Municipal de Coimbra, a Direção Regional de Cultura do Centro e a Coimbra Viva - Sociedade de Reabilitação Urbana, visa "afirmar a candidatura" daquele conjunto, material e imaterial, a Património Mundial da Humanidade reconhecido pela UNESCO.
A nova associação será responsável pela salvaguarda, promoção e gestão das áreas candidatas e de proteção, funcionando como interlocutora única da UNESCO, incluindo depois de ser tomada a decisão, que os proponentes esperam venha a ser favorável.
Na sequência de uma apresentação provisória do projecto, há cerca de um ano, a UNESCO defendeu que a candidatura deveria "realçar também muito o seu carácter imaterial", disse João Gabriel Silva. "Isto tem a ver com o que significam a Universidade e a cidade do ponto de vista da cultura no mundo", referiu.
Segundo o reitor, a Universidade de Coimbra "é em grande medida também o berço da língua portuguesa", uma "língua europeia que está em expansão", ao contrário de outras do Velho Continente. "Esta Universidade e esta cidade já há muito ganharam um lugar na cultura do mundo", disse, por seu turno, o presidente da Câmara de Coimbra, João Paulo Barbosa de Melo.
O autarca evocou o papel da Universidade, designadamente através de intelectuais e dirigentes políticos ligados a Coimbra, na independência do Brasil, no século XIX, e na criação, após 1974, dos países africanos de língua oficial portuguesa.
Para João Paulo Barbosa de Melo, a classificação como Património Mundial da Humanidade dos valores materiais e imateriais abrangidos pela candidatura "não é mais do que o reconhecimento de um facto". "Este é um momento histórico", afirmou a diretora regional da Cultura do Centro, Celeste Amaro, ao realçar a importância da constituição da Associação RUAS.
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