domingo, 3 de abril de 2011

ATADOS

Os tempos correm contra qualquer optimismo que pudesse existir entre os portugueses.

Mas não vale a pena atirar a toalha ao chão, vamos ter de trabalhar muito e durante muito tempo para pagar o que devemos.

A convocação de eleições antecipadas era esperada e vai ajudar a ultrapassar uma crise política que em nada ajuda a desatar o nó que atámos ao pescoço.

Daqui a dois meses, no entanto, é bem provável que a existência de uma maioria parlamentar funcione como uma luz ao fundo do túnel. Mas, como vamos chegar até lá? Vem ou não vem o FMI?

Os principais líderes parecem mostrar que querem que essa ajuda seja pedida pelo outro. Sócrates quer deixar essa decisão para o próximo primeiro-ministro e Passos Coelho quer que seja o actual primeiro-ministro a fazê-lo.

A verdade é que se o actual governo tiver de chamar o FMI vai atar de pés e mãos a liderança do PSD. Sócrates pode pedir ajuda externa, mas não pode dar garantias de que as medidas exigidas pelo FMI serão cumpridas e o FMI só empresta dinheiro se PS e PSD se comprometerem com mais austeridade.

Agora imaginem que os partidos da alternância vão a votos com o compromisso assumido de que vêm aí subsídios de Natal dos funcionários públicos ou o 13.º mês dos pensionistas hipotecados, aumento de impostos, reforma da legislação laboral que facilite o despedimento no sector público e no sector privado, etc., etc., etc..

Podem ganhar socialistas ou sociais-democratas, mas pode muito bem o país ficar muito mais instável politicamente com um grande crescimento eleitoral dos agora pequenos partidos. Só um milagre pode desatar o emaranhado de cordas com que um país inteiro parece querer enforcar-se.

Paulo Baldaia, aqui