James Reynolds recriou os últimos pedidos dos condenados à morte nos EUA. De azeitonas a cebolas, há menus para todos os gostos.
Uma azeitona, uma cebola inteira, um maço de tabaco e fósforos, seis ovos cozidos, meio litro de gelado de baunilha, seis Coca-Cola e uma bolacha de água e sal. Não é uma lista de compras esquisita, mas sim os últimos pedidos de alguns condenados à morte nos Estados Unidos. Depois de muito pesquisar, James Reynolds, um designer britânico de 24 anos, recriou os últimos caprichos de criminosos executados a partir de 1963, numa série de nove fotografias intitulada "Últimas Ceias".
"O facto de terem cometido um crime terrível e ainda terem o privilégio de escolher o que vão comer é muito bizarro", responde o autor ao i, por e-mail, no intervalo do trabalho numa agência de publicidade em Londres.
James começou a fotografar comida num tabuleiro cor-de-laranja em 2009, quando ainda estava no último ano do curso de Design Gráfico na Kingston University. "Na altura li um artigo sobre os últimos pedidos de cinco condenados à morte e comecei a pensar no aspecto dessas refeições, já que foram a última coisa que viram", conta. Não foi difícil elaborar uma lista com todos os excêntricos pedidos. "Encontrei tudo online", afirma. "Por lei, as prisões norte-americanas têm de publicar informações sobre os prisioneiros no corredor da morte e sobre as suas últimas refeições."
De todos os desejos, o que mais o intrigou foi o de Victor Feguer, condenado à morte por homicídio em 1963: uma azeitona com caroço. "A maior parte escolhe McDonalds, hambúrgueres e pizza, mas pedir uma simples azeitona é muito estranho", diz James. "Ele acreditava que uma oliveira iria nascer do seu caixão depois de ser enterrado", explica. "Deve ter pensado muito nessa questão e achava que assim ia conseguir paz."
Ele próprio, enquanto fotografava, pensou em qual seria a sua escolha. "Espero nunca ter de tomar essa decisão, mas acho que pediria um almoço tradicional britânico de domingo, embora provavelmente tivesse demasiadas coisas na cabeça para conseguir comê-lo."
Com um limite de 40 dólares (pouco menos de 30 euros), os prisioneiros norte-americanos no corredor da morte podem escolher a sua última ceia da cantina da prisão ou de uma loja próxima, desde que não inclua álcool. "Há muitos pedidos que são rejeitados", conta James. "Como os daqueles que pedem uma arma, analgésicos, ou uma garrafa de whisky. Há até quem peça a paz mundial."
As nove fotografias podem ser vistas no site de James (http://www.jwgreynolds.co.uk/) e já estiveram nas paredes de uma galeria de arte em Los Angeles. "Muita gente diz-me que gostava de ver mais", conta. "Estou a pensar tirar perto de cem fotografias de refeições diferentes e compilá-las num livro."
Clara Silva, aqui
