O fascínio que Jesus Cristo exerce há séculos transcende o universo de acólitos. Muitos, que nele só reconhecem o legado ético de um revolucionário singular, não resistiram a interrogar-se sobre a improbabilidade de um judeu pobre ter marcado, tão decisivamente, o imaginário da Humanidade. Foi o caso de Paul Verhoeven.
O realizador holandês, autor de êxitos como Robocop (1987) ou Instinto Fatal (1992), interrogou-se sobre Cristo desde tenra idade, interesse que cultivou ao longo dos tempos, pesquisando para um filme biográfico. Dali resultaram vários apontamentos, ensaios produzidos durante a participação no Jesus Seminar, na Califórnia, que congregou teólogos, filósofos linguístas e exegetas da Bíblia.
Verhoeven, talvez pela sua formação de matemático e contaminado pela profissão que exerce, centrou-se no lado humano de Cristo e em certas cenas do Novo Testamento, questionando as suas narrativas míticas e a alegada dimensão divina de Jesus (que Verhoeven nega, antes o apresentando como um cultor da violência para alcançar objectivos).
O realizador holandês, autor de êxitos como Robocop (1987) ou Instinto Fatal (1992), interrogou-se sobre Cristo desde tenra idade, interesse que cultivou ao longo dos tempos, pesquisando para um filme biográfico. Dali resultaram vários apontamentos, ensaios produzidos durante a participação no Jesus Seminar, na Califórnia, que congregou teólogos, filósofos linguístas e exegetas da Bíblia.
Verhoeven, talvez pela sua formação de matemático e contaminado pela profissão que exerce, centrou-se no lado humano de Cristo e em certas cenas do Novo Testamento, questionando as suas narrativas míticas e a alegada dimensão divina de Jesus (que Verhoeven nega, antes o apresentando como um cultor da violência para alcançar objectivos).
Esses ensaios foram reunidos nesta obra, Jesus de Nazaré, que apresenta hipóteses eminentemente polémicas mas tão pertinentes como todas as demais. Se, entre elas, avulta a possibilidade de a concepção de Cristo ter resultado da violação de Maria por um soldado romano durante a perseguição aos judeus da Galileia, a mais interessante será, porém, a análise política da paixão de Cristo. Para Verhoeven, a morte de Jesus era crucial ao planos políticos de Pedro, na medida em que a afirmação do Cristianismo dependia do martírio do líder carismático.
Enfim, uma obra muito clara e deveras interessante, mas que menoriza, talvez em demasia, a dimensão espiritual de Cristo.
(Elmano Madail)
TÍTULO: Jesus de Nazaré
AUTOR: Paul Verhoeven
EDITORA: Guerra & Paz
PREÇO: 19.90 €
Retirada daqui
