Nós por cá, estamos a viver
dois folhetins paralelos, cujo actor principal é Miguel Relvas, de quem se
esperava verticalidade e verdade na hora; um que mostra a promiscuidade do
poder político e económico com as Secretas e as já detectadas mentiras do
ministro-adjunto do PM, P. Coelho que tem um bicudo problema a resolver, e
quanto mais tarde, pior; o segundo é o caso Relvas jornal Público sobre alegadas pressões que o jornal sustenta e o
governante se esconde atrás de subterfúgio, um exemplo que tem atravessado os
tempos e os governos.
E mesmo Sócrates, que tem sido o nome mais citado no
julgamento do caso Freeport, sem ser arguido e não foi ainda chamado a depor,
continua a ameaçar a imprensa nos seus recados de Paris, se esta escancarar as
páginas às histórias do nosso Pinóquio…
Miguel Relvas saiu pior do
que a encomenda: mentiu, segundo o DN,
quando foi ouvido no Parlamento. Afinal, sempre se encontrou com o super espião
Silva Carvalho, num almoço e num jantar e, com um director da PJ num café, que
devia ser limpo, mas estava inquinado, enquanto no Parlamento, credo, mal o
conhecia antes de ser ministro.
A proximidade é inequívoca e nunca inocente. De
repente, M. Relvas virou um pesadelo, mas Passos, assobiando para o lado, tenta
preservá-lo, como Cavaco no caso de Dias Loureiro e viu-se o que veio a dar.
Destes pobres e tristes folhetins já há uma vítima: a do adjunto de Relvas,
Adelino Cunha, que pediu a demissão, após a revelação de uma série de mensagens
trocadas entre si e Silva Carvalho.
Foi honesto. Agora, M. Relvas, mentiu,
tirando a água do capote. Há duas semanas, Passos avisava: “quem mentir, sai”.
Sairá mesmo como deseja o BE? Relvas pode ser importante para o PSD, que está a
fracturar, mas, no momento, é péssima pedra no xadrez político do governo.
Está
fragilizado para tanto que tinha que fazer, sobretudo na reforma
administrativa, É preciso tê-los para demiti-lo, mas Passos terá muito mais a
ganhar com essa atitude do que mantê-lo em funções. Mesmo que volte
a depor no Parlamento, como quer e com razão o PS e se retrate. Tarde, piará.
O
país está acima dos partidos e amizades particulares.
O país está farto de casos
vergonhosos.
Farto das cavaladas de alguns.
Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 31 de Maio de 2012