sábado, 16 de julho de 2011

LIXOS E SACANICES

Há dias em que acordar é um brutal pesadelo, que não se pode sair à rua com esperança de não haver empecilhos na rota traçada.

Acontece com as pessoas, sucede com os governantes, sucedeu com o governo de Passos Coelho, quando a agência de notação Moody’s atirou com a dívida soberana portuguesa para o lixo. Com o cinismo habitual, na véspera do Estado ter de vender mais dívida.

Claro, a juros mais elevados, que vão encher os cofres de muita gente, sem escrúpulos, ligada a este tipo de agências que têm derrotado muitas economias, e que, afinal, concorreram para esta crise. Quem ganha? Este tipo de abutres que derrotam todos os ministros das Finanças. Quem perdeu? O país que virou lixo, nós que somos pouco mais do que isto. Foi “um muro no estômago”, doeu-se Passos Coelho. E com razão. Quando foi além do pacote exigido pelo FMI, BE e UE, cravando-nos com um imposto extraordinário, a perda de cerca de metade do subsídio de Natal; quando o governo tenta moralizar a vida pública e dar exemplo no corte das despesas (está proibido qualquer governante, e ele próprio, deslocar-se para o trabalho ou para casa em carros do Estado e foram suprimidos todos os cartões de crédito para despesas de representação, era um regabofe) é uma grande sacanice a agência ter feito o que fez. Por meros interesses de uma máfia especulativa a nível financeiro.

Nesta guerra entre dólar e euro, a Europa está aprisionada. Este gesto significa também uma nota negativa ao acordo de austeridade assinado com a troika, e simultaneamente ao FMI, BE e EU, um aviso à Grécia, segundo Marcelo R. de Sousa. De uma só cajadada visou matar alguns coelhos… e logo me veio à lembrança a imagem de um homem que, esbracejando nas as águas de um poço, onde por incúria tombou, tentando salvar-se, logo chega um patife que lhe dá uma sapatada, empurrando-o para o fundo…

Armor Pires Mota no 'Jornal da Bairrada' de 14 de Julho de 2011