A diminuição de 2% nos quadros das autarquias "causaria problemas sem dúvida nenhuma", disse à Lusa o presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que considera essa possibilidade "uma imposição cega e irracional".
Fernando Ruas, também presidente da Câmara de Viseu, disse que os municípios estão "disponíveis para explicar" as suas razões contra a diminuição de 2% no número de funcionários como prevê o programa do Governo. O presidente falava em declarações à agência Lusa a dois dias do XIX Congresso da ANMP, que terá lugar no sábado, em Coimbra.
"Tratar-se-ia de uma imposição cega e não pensada, irracional, e nós preferimos decisões racionais", afirmou, defendendo que, a haver essa imposição, "devia ser ao contrário", porque "não faz sentido nenhum que sejam 2% na administração local e um por cento na administração central".
Fernando Ruas explicou que "há situações onde essa regra não é possível", exemplificando com uma questão: "Como é que se faz se sair um coveiro, como é se faz se sair o único motorista de um autocarro".
"O trabalho nas câmaras é tão específico que não é possível ser visto desta forma", referiu, atirando outro exemplo, com ironia: "Na ilha do Pico (Açores) se houver só um jardineiro e este adoecer e não voltar mais, como se faz, deixa de haver jardineiros na ilha do Pico que tem só uma câmara?".
Fernando Ruas é de opinião que "estas regras não se podem aplicar" porque, no seu entender, "o aumento de pessoal é uma despesa virtuosa para os municípios" porque estes "existem para fazer equipamentos que depois têm de ser preenchidos por alguém. Imagine-se um complexo de piscinas, quem o vai gerir, um engenheiro da câmara, um trolha... tem de ser alguém com conhecimento...".
"Sempre que admitimos alguém é para fazer funcionar equipamentos que são destinados e exigidos pelas populações", lembrou.
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