1. O governo pequeno e enxuto, aquele que ia provar que
todos os governos anteriores eram grandes e despesistas, não correu bem.
Foi assim: uns rapazes leram umas coisas numas contracapas duns livros sobre
Estados pequenos e fortes, confundiram aquilo tudo e pensaram que se criassem
uns superministérios e fizessem muita força ia tudo funcionar às mil maravilhas.
O próprio Estado, por artes mágicas, ficava mais maneirinho.
Entretanto parou-se o funcionamento dos ministérios durante meses. Perdeu-se muito tempo e muito dinheiro. Agora voltamos aos anteriormente chamados governos grandes e despesistas e vai ter de se começar tudo de novo. Estamos perante uma situação que merece um estudo académico aprofundado: o caso de meia dúzia de deslumbrados que andaram a brincar aos governos durante a mais grave crise dos últimos anos. Mas agora é que vai ser.
Entretanto parou-se o funcionamento dos ministérios durante meses. Perdeu-se muito tempo e muito dinheiro. Agora voltamos aos anteriormente chamados governos grandes e despesistas e vai ter de se começar tudo de novo. Estamos perante uma situação que merece um estudo académico aprofundado: o caso de meia dúzia de deslumbrados que andaram a brincar aos governos durante a mais grave crise dos últimos anos. Mas agora é que vai ser.
2. Durante dois anos não se conseguiu atingir uma meta, nem
acertar uma previsão. Nem consolidação orçamental, nem reforma do Estado, nem
reformas estruturais, nem austeridade nos sítios certos. Mas tivemos desemprego,
recessão, emigração e impostos com fartura.
O principal executor da política prosseguida, o que aplicou a receita além da
troika, o que pôs no terreno aquele que seria o programa do Governo mesmo que
não houvesse memorando, foi-se embora dizendo que o plano estava errado e que
Passos Coelho tinha problemas de liderança.
O primeiro-ministro e a ministra das
Finanças - a senhora com problemas de memória que é uma espécie de Gaspar de
antes da carta de demissão - passaram as duas últimas semanas a dizer que a
estratégia que tudo tem destruído é para manter e é-nos afiançado que uns
pozinhos de perlimpimpim transformaram Passos Coelho num líder.
Ao mesmo tempo, os membros do Governo patrocinados pelo outro
primeiro-ministro lançam foguetes anunciando que agora vai ser crescimento
económico até fartar e investimento a rodos. De que forma é que se esqueceram de
dizer.
Digamos que é capaz de não estarem reunidas as condições para entendimentos e
talvez se torne difícil fazer o Orçamento para 2014.
Quem vai renegociar o memorando? Os que acham que se tem de mudar de rumo ou
os que pensam que ainda se não foi suficientemente longe na loucura?
Mas agora dizem-nos que tudo isto pouco importa. Temos de esquecer as
profundas diferenças programáticas e até ideológicas entre os membros do novo
Governo, esquecer que foi este o primeiro-ministro dos dois anos anteriores,
ignorar a catástrofe em curso e fingir que há alguma hipótese de crescimento e
investimento com os cortes programados e a manutenção das políticas troikianas.
E porquê? Porque agora é que vai ser.
3. Coesão, Credibilidade, Confiança. Os tais atributos que o
Presidente da República não reconhecia a esta nova solução governativa há quinze
dias, mas que agora por qualquer razão que nos esqueceu de explicar existem com
fartura.
Um vice-primeiro-ministro que troca o valor da sua palavra e a sua honra por
uns cargos para si e para o seu partido não inspira grande confiança.
Um Governo que insiste em ter ministros que mentem com os dentes todos que
têm na boca no Parlamento não será propriamente de fiar.
Um Governo que continua a ter um primeiro-ministro que acha os portugueses
preguiçosos e cometeu todos os erros possíveis e imaginários durante dois anos
não se torna credível apenas por agora ter gente com a qualidade e a experiência
política e profissional de Pires de Lima ou Moreira da Silva - já tinha e
continua a ter excelentes elementos como Paulo Macedo ou Miguel Macedo. Sim, as
pessoas são importantes, mas se os líderes são maus e, sobretudo, as políticas
estão erradas nada pode mudar.
Um Governo em que o ministro dos Negócios Estrangeiros acha o
vice-primeiro-ministro politicamente hipersensível e de comportamento errático e
que pensa que será muito difícil aos ministros aceitar o primeiro-ministro ao
lado de Paulo Portas, que acha que Maria Luís não é a pessoa indicada para o
novo rumo que será preciso tomar, não indicia grande coesão.
Mas, claro está, isto são suspeitas infundadas. Está tudo coeso, sólido,
unido. O que lá vai, lá vai. Agora é que vai ser.
4. Para nós portugueses, os que sofremos com todos os
desvarios presentes e passados, seria bom que o Governo mudasse de política e de
atitude perante os nossos credores.
Que este novo Governo abandonasse os
delírios revolucionários Que a incompetência desse lugar ao mínimo bom senso.
Que subitamente Passos e Portas se transformassem em estadistas. E isso será
talvez tão fácil como pôr galinhas a voar. Impossível, mesmo que se diga muitas
vezes, batendo com a mão no peito, que agora é que vai ser.
Pedro Marques Lopes, aqui
