A política, entre nós, é cada
vez mais um circo pobre. Sócrates regressa esta semana ao país.
Pela porta
grande da RTP1. Como comentador. Lábia nunca lhe faltou. É uma vergonha, e quem
não tem vergonha todo o mundo é seu. “Vergonha nacional”, escreveu a propósito o
ácido Pulido Valente.
O vício do poder e da ribalta é mais forte do que a má
consciência e tudo o resto. Ricamente exilado em Paris, mas sempre com o olho
no cavalo do poder, (estando fora, tem cá os seus peões de brega) é um cidadão
livre de vender o seu peixe (muito já a cheirar mal), de opinar, mas poderia
esperar mais algum tempo, arribar sem pressas, como defendem Assis e Costa
(PS).
Há uma estranha coincidência com a moção de censura ao governo e com o possível chumbo de duas ou mais medidas do Orçamento pelo Tribunal Constitucional (TC).
Há uma estranha coincidência com a moção de censura ao governo e com o possível chumbo de duas ou mais medidas do Orçamento pelo Tribunal Constitucional (TC).
O anúncio do regresso para lavar mais branco os erros
cometidos, logo gerou polémica, listas contra e a favor (esta muito
expressiva). Também a RTP1 é de memória curta. Para a estação televisiva, pouco
importam as barafundas em que o homem andou metido (ou o meteram), a gestão
danosa, (deveria responder por isso, todos deveriam responder), chamou a
detestável Troika, assinou o memorando. O que importa são as audiências, o que
também é legítimo.
Mas há que ter bom senso, que não houve. Trata-se de uma
empresa pública que pagamos. A notícia diz que vem de borla. Se é, já lhe
pagámos muito. O país não lhe deve nada. Mas será que Sócrates dá algum ponto
sem nó? Esta jogada cheira a interesses pessoais. Cremos que “animal feroz” que
é, será mais um a empurrar o país para a confusão e para a crise política que está
latente e pode agravar-se, se o TC vier com os chumbos.
O caos pode não tardar.
Em vez de ser o país a ajustar contas com JS é JS que vem ajustá-las. Com o
Governo e Cavaco, branqueando obras e erros. Vai arremessar calhaus contra o
barco do governo um pouco à deriva. Em 25 minutos semanais irá ser mais
demolidor do que Seguro, que irá condicionar.
É admissível que queira voltar à
liderança do PS ou a começar a preparar o terreno para uma candidatura à
presidência da República. Neste país de muitos circos, e de palhaços ridículos,
já nada admira. Se até os porcos já andam de bicicleta e os vigaristas,
corruptos e vilões da política viram heróis!
Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 28 de Março de 2013
