Já
se esperava o pior do Orçamento do Estado (OE).
Gaspar não muda de rumo e
Passos não consegue tirar da cartola chamuscada um coelho que alegre o circo.
Embora só hoje (2ª feira), em cima da hora, seja concluído, o que mostra a
desorganização daquelas cabecinhas e que o trabalho não vai feito de casa, o
esbulho não será muito diferente do que tem vindo na imprensa.
A classe média,
sem nenhuma gordura entre a carne e o osso, continua a ser o grande bode
expiatório pelos rombos e roubos no erário público de que muita gente
beneficiou.
Paga por trabalhar, paga por investir, paga por poupar, paga por ser reformada, paga por tudo e por nada. É o mais do mesmo, mas ainda mais excessivo, ultrapassando todos os limites. Nem os mortos escapam.
Paga por trabalhar, paga por investir, paga por poupar, paga por ser reformada, paga por tudo e por nada. É o mais do mesmo, mas ainda mais excessivo, ultrapassando todos os limites. Nem os mortos escapam.
Ou melhor, os
familiares que vêem reduzido para metade o subsídio de funeral. “É devastador,
é um terramoto fiscal”, diz B. Félix, antigo ministro de Finanças; “agrava-se o
maremoto fiscal sobre o rendimento dos trabalhadores”, afirma B. Soares.
Todavia,
o governo que levou mais de 40 horas em reuniões, desta vez deu alguns tiros
certeiros. Não manteve o aumento descomunal do IMI, é natural que reveja a
estupidez dos escalões e taxas do IRC e pôs fim às borlas nas empresas de
transporte do Estado. Nomeadamente para funcionários judiciais e familiares dos
trabalhadores das empresas (era uma mina…).
Vai buscar mais 250 milhões às PPP
e pode dar um passo para cativar o investidor estrangeiro: a baixa do IRC. Mas
quem vai querer investir num país que vaza na rua em manifestações e greves,
quando há políticos que apostam em fazer do país outra Grécia? Só o caos lhes
serve.
Apesar desta sangria desenfreada que só pode
gerar revolta e mais recessão, inquietante é o que diz a Troika insaciável,
voraz: o relatório lembra que toda esta austeridade pode não ser suficiente.
Mais lúcida parece estar a senhora Lagarde, presidente do FMI, que deixou um
recado: as receitas têm sido excessivas, há que flexibilizar as metas dos
défices, alargar prazos.
Teoria seguida por Cavaco que, mais uma vez, faz soar
as suas ideias, via Internet. Próximo estão Eanes e Sampaio.
Soares, esse, perdeu
de vez a sensatez, virou incendiário.
Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 18 de Outubro de 2012
