Não pode
ser bom, quando a Nação está mais empobrecida, com um milhão de desempregados e
dois milhões de pobres. Quando a soberania, económica e política, anda nas mãos
da Troika que nos deu uma receita brutal, desadequada.
Não se estranha tão
exagerado optimismo. Um homem que ganha uma fortuna mensalmente só pode ser
optimista.
O Estado da Nação não pode
ser bom, quando as perspectivas para o próximo ano não são nada favoráveis e
irá haver mais medidas de austeridade. Quando o governo se encontra fragilizado
pelas contradições e pelas macacadas de Miguel Relvas. Passos Coelho prometeu,
em campanha, mais rigor e transparência, mas esta tem sido opaca ou confusa,
como se vê por este caso e noutras situações.
Não há equidade na repartição de
sacrifícios e não era necessário vir dizê-lo o Tribunal Constitucional. Os
cortes nos subsídios de férias e de Natal têm escandalosas excepções em
organismos ou empresas ligadas ao Estado. Outros contornam a lei e o dinheiro
vai parar às contas desses felizardos como remuneração extraordinária, que o
povo paga em gordos impostos.
A austeridade não é para todos, quando os
deputados papam refeições de luxo, caríssimas e nunca ouvimos o PCP e o BE a
protestar. Comem todos. O Estado da Nação não pode ser bom quando as ruas são
palcos de greves e manifestações. Umas instrumentalizadas pela CGTP e PCP, com insultos
e ameaças aos homens do poder, outras mais ordeiras.
Os portugueses querem ser
vistos como pessoas e nunca como carne de canhão da armada da Troika. Não é
bom, quando o balanço não é positivo, e pior, quando não é fácil encontrar
soluções e medidas que agradem a todos. Ninguém quer perder benefícios, mesmo a
nível das autarquias.
Vida difícil para o governo, mas mais para o povo.
Oxalá
Borges esteja certo.
Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 19 de Julho de 2012
