quinta-feira, 19 de julho de 2012

ESTADO DA NAÇÃO

O Estado da Nação, que também se lê nos olhos dos portugueses que andam tristes, foi a debate à AR.


Não pode ser bom, quando a Nação está mais empobrecida, com um milhão de desempregados e dois milhões de pobres. Quando a soberania, económica e política, anda nas mãos da Troika que nos deu uma receita brutal, desadequada.


Quando o INE revela que o défice orçamental do 1º trimestre se agravou, sendo agora de 7,9%, bem acima da meta prevista por Victor Gaspar no fecho do ano, dando a nítida impressão de que pouco têm valido os sacrifícios, ainda que António Borges tenha vindo dizer numa entrevista que já se vê a luz ao fundo do túnel.


Não se estranha tão exagerado optimismo. Um homem que ganha uma fortuna mensalmente só pode ser optimista.

O Estado da Nação não pode ser bom, quando as perspectivas para o próximo ano não são nada favoráveis e irá haver mais medidas de austeridade. Quando o governo se encontra fragilizado pelas contradições e pelas macacadas de Miguel Relvas. Passos Coelho prometeu, em campanha, mais rigor e transparência, mas esta tem sido opaca ou confusa, como se vê por este caso e noutras situações.

Não há equidade na repartição de sacrifícios e não era necessário vir dizê-lo o Tribunal Constitucional. Os cortes nos subsídios de férias e de Natal têm escandalosas excepções em organismos ou empresas ligadas ao Estado. Outros contornam a lei e o dinheiro vai parar às contas desses felizardos como remuneração extraordinária, que o povo paga em gordos impostos.

A austeridade não é para todos, quando os deputados papam refeições de luxo, caríssimas e nunca ouvimos o PCP e o BE a protestar. Comem todos. O Estado da Nação não pode ser bom quando as ruas são palcos de greves e manifestações. Umas instrumentalizadas pela CGTP e PCP, com insultos e ameaças aos homens do poder, outras mais ordeiras.

Os portugueses querem ser vistos como pessoas e nunca como carne de canhão da armada da Troika. Não é bom, quando o balanço não é positivo, e pior, quando não é fácil encontrar soluções e medidas que agradem a todos. Ninguém quer perder benefícios, mesmo a nível das autarquias.

Vida difícil para o governo, mas mais para o povo.

Oxalá Borges esteja certo.

Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 19 de Julho de 2012