quarta-feira, 4 de abril de 2012

RENEGOCIAR AS PPP

Num dos últimos fins de semana, tive de ir a uma pequena vila do Norte.

Nunca lá tinha ido. Fui e vim por autoestrada. Até fiquei surpreendido com a facilidade de acesso pois essa localidade, perto de Amarante, tinha pelo menos duas hipóteses de ser atingida por autoestrada.

Estranhei que na nova via em que circulei me tivesse apenas cruzado, no máximo, com 3 ou 4 carros e descoberto mais uma empresa que geria autoestradas em Portugal. Pensei, naturalmente, que o pouco tráfego se deveria ao facto de ser uma das novas scuts e não me enganei.

Esta semana saiu mais uma estatística rodoviária que aponta para uma diminuição de quase 40% no trânsito em muitas das novas vias. Sinais da crise, claro, mas não só.

As scuts foram a grande receita de governos anteriores para termos crescimento e ganharem eleições. Se os dois objetivos foram conseguidos, agora todos pagamos essa irresponsabilidade porque temos de pagar por vias que, mesmo de borla, teriam pouquíssimo tráfego. As ditas PPP estão a ser uma tragédia que importámos de Inglaterra, onde começaram mas que souberam parar a tempo, e que nós multiplicámos como cogumelos.

No último congresso do PSD, Passos Coelho prometeu que o governo iria renegociar todos estes negócios que prejudicaram gravemente o interesse dos portugueses. Espero que seja uma promessa para cumprir mas estarei atento. Por todas as razões as PPP são até imorais.

A coberto do fomento da iniciativa privada, os ex-governantes (PS e PSD) arranjaram forma de retirar ao empresário o que distingue dos outros; a capacidade de arriscar e ganhar com o risco.

Aguardo pelos remédios do governo. A forma como resolver isto poderá ser decisiva para o seu sucesso.

António Granjeia, no 'Jornal da Bairrada' de 29 de Março de 2012