quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SE QUEREMOS TÉNICOS QUALIFICADOS TEMOS DE OS FORMAR

Tenho acompanhado com interesse, através do J. Bairrada, o empenho que o Sr. Comendador Almeida Roque tem posto na defesa do Ensino Profissional.

Conheço o sr. Comendador há 22 anos e sempre o vi defender este ensino com muito entusiasmo.

Para ajudar a viabilizar o seu sonho criou a Fundação Almeida Roque, com sede na cidade de Oliveira do Bairro, o que é uma honra para o Concelho.
O Sr. Comendador Almeida Roque tem reiteradamente afirmado que a sua Fundação tem como objectivos principais «criar todas as condições para pôr em funcionamento, sem perda de mais tempo, o Instituto Industrial da Bairrada, onde se ministre a teoria indispensável mas, também e principalmente, a prática das boas ténicas em oficinas da própria escola, fundamentalmente nas áreas da electricidade e mecânica.

A estas boas ténicas deve estar associado um adestramento verdadeiro e adequado às necessidades das empresas que só poderão ser competitivas se produzirem mais e melhores produtos, para beneficiarmos de maior valor acrescentado, o que só se consegue com mão de obra altamente qualificada, que não temos».

Apraz-me acrescentar que o amor ao trabalho, o respeito pela lei e pelos regulamentos internos das empresas, a pontualidade, o sentido de responsabilidade, o esforço permanente da melhoria da qualidade do seu trabalho e consequente aumento da produtividade e finalmente a sua integração nos objectivos da empresa são também preocupações pedagógicas que devem ser transmitidas a todos os formandos e a que o Sr. Comendador Almeida Roque por várias vezes se tem referido.

Penso poder concluir que o Sr. Comendador Almeida Roque que foi empresário de sucesso e é um filantropo muito activo, tem a consciência de que o que distingue os profissionais é a qualidade do seu trabalho e o empenhamento com que exercem as suas funções, independentemente da dimensão da empresa ou do mercado onde atuam.

Entendo ainda que o Instituto Profissional da Bairrada não deve estar apenas vocacionado em formar jovens para se inserirem no mercado do trabalho, cada vez mais exigente, mas também para reciclar os conhecimentos dos atuais profissionais em áreas que complementem a sua experiência e que tenham aplicação no mercado laboral, ajustando assim as suas capacidades ténicas às novas exigências do mercado. Estas acções de renovação de conhecimentos visam a sedimentação dos mesmos e a consequente mudança de comportamento, face aos novos desafios tenológicos.

Assim, as empresas, para serem competitivas, têm de estar preparadas para enfrentar atempadamente as mudanças que se verifiquem e serem capazes de lidar com elas, estando disponíveis para encontrar formas diferentes de responder a esses novos desafios, isto é, os empresários têm de saber responder com criatividade e inovação, o que só é possível com ténicos devidamente qualificados.

Por tudo isto, só as empresas mais qualificadas conseguirão ultrapassar os momentos difíceis que se adivinham e, por isso, é fundamental valorizar o ensino profissional e incentivar os jovens a qualificarem-se, abrindo-se-lhes portas para um futuro mais promissor.

É altura de se começar a passar a mensagem por que surgiu a ideia de pôr em funcionamento o Instituto Industrial em Oliveira do Bairro e quem pretende formar.

Empossados os respectivos membros dos corpos sociais da Fundação, «a quem cabe agora as responsabilidades de liderar o processo», de acordo com a declaração pública do Sr. Comendador em que disse que «a Fundação «entregue aos oliveirenses», ultrapassadas as primeiras dificuldades e já decorridos mais de quatro anos sobre a ideia da sua constituição, não se pode perder mais tempo.

Penso ser necessário utilizar as melhores ténicas de marketgin para despertar vocações entre os jovens e sensibilizar os empresários da região a partilharem do sucesso do Instituto Industrial da Bairrada.

Considerando que o sucesso desta escola em muito vai contribuir, não só para proporcionar empregos qualificados a jovens que não desejem percorrer os bancos das Universidades, mas também aumentar a produtividade das empresas e melhorar a qualidade dos seus produtos, convém definir o posicionamento do Instituto Industrial da Bairrada como instituição de ensino e o papel dos professores.

A resposta a esta questão irá condicionar os processos de ensino e de aprendizagem, a organização do Instituto, os currículos e as ferramentas de apoio, tendo sempre em atenção que é bom não esquecer que na formação, há que saber encontrar o equilíbrio entre vocação e empregabilidade. Atrevo-me a ter a ousadia de dizer que a Universidade de Aveiro, conhecedora das melhores tenologias e dos novos desafios da educação/formação, pode ter uma palavra a dizer sobre estas exigências que a serem respeitadas podem transformar o Instituto Industrial da Bairrada numa escola diferente, para melhor, da maioria das escolas profissionais existentes.

Finalmente, deixo um pensamento que todos devemos ter presente ao longo da nossa vida activa: «Os iletrados do século XXI não são aqueles que não sabem ler mas sim aqueles que não conseguem aprender, desaprender e tornar a aprender»

Acílio Gala, no 'Jornal da Bairrada' de 16 de Fevereiro de 2012