sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

CARNAVAL GORDO

Este ano, o Carnaval promete como nunca.

Tudo por culpa do governo e dos políticos que, tirados dos locais de onde nunca deveriam ter saído, viram palhaços - vá lá, para não sermos tão duros, uns bons malandros. Uns vão ser gozados de alto a baixo e não admira muito que outros se revejam em inquietas cavalgaduras.

Se antes de Passos declarar a não tolerância de ponto aos funcionários públicos na terça-feira de Carnaval, já ia ser o bom e o bonito, o que não vai sair da imaginação de todos os que, de um momento para o outro, se vêem privados de gostosa brincadeira, e do furor que sentiram todas as organizações que se vêem defraudadas nas suas perspectivas, com prejuízos à vista.

Mal-estar que se alargou às autarquias. As despesas estão feitas. Talvez Passos tenha alguma razão e coerência. Se há cortes de feriados, por que fazer da terça-feira de Carnaval mais um? Mas há também quem pergunte: por que não acabar com o carnaval que vai pela Assembleia da República, onde o bombo somos sempre nós, os mais fracos? É evidente que todos gostam da tolerância de ponto, de pontes, também de greves, direitos adquiridos em tempos de vacas gordas.

Cortar dói sempre. E toda esta guerra que vai ter o pico alto, com bombardeamentos aéreos e subterrâneos, poderia ser evitada, se Passos, com um pouco de memória (Cavaco foi queimado no Entrudo de 1993…) e sobretudo de bom senso, tivesse anunciado com tempo de bonda. Agora em cima da bunda que já toda se espremia para a ginga, é que não. Mais uma vez repete falta de bom senso.

É evidente que o país precisa de trabalhar, se cada um tiver onde, mas também precisa de ter um dia para aliviar a cerviz e bater em quem nos bate. Mas talvez, em muitas terras, um dia bastasse (domingo gordo) ou dois, (sábado e domingo, é tudo uma questão de adaptação). Se Cavaco e Passos são diferentes e andam de cotrelho, neste ponto, foram iguais na asneira.

Não é em cima da festança que se vai roubar a alegria ou o prato da fêvera à vista ao povo. E, se é para poupar, que todos os governantes poupem também no nº. dos motoristas.

O Relvas (Ó Relvas, ó Relvas, trapalhadas à vista!) ajustou directamente um 4º.

Com um ordenado de 73.466.00/ano.

Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 9 de Fevereiro de 2012