Não nos espanta muito as vaias com que Passos Coelho foi mimoseado na Feira do Queijo de Gouveia.
Claro, que toda a gente anda com os medos e a raiva à flor da pele por causa de tão monstruosa crise (771 mil desempregados), que todos sabem quando e como começou, mas ninguém saberá hoje como irá acabar, se com mais pão, um futuro radioso, se com mais pedras e mais mãos estendidas à caridade.
Ainda bem que tem essa coragem nestas situações (não foi a primeira nem será a última) que não em outras: medir os portugueses pela mesmo bitola e não criar portugueses de primeira e de segunda. Mas já lá vamos… Ao contrário, Cavaco Silva deixou-se amedrontar com o “sonho” de uma manifestação de adolescentes e cancelou a visita à escola António Arroio, em Lisboa.
Eu sei que um país a envelhecer, sem crianças, é um país sem futuro. Por isso, cada vez somos menos portugueses e mais chineses e de outras cores, mas os portugueses exigem que todos tenham o mesmo tratamento e, no caso da doença endémica, que já vai no sabugo, todos tenham direito ao mesmo choque fiscal. Mas não é isso que acontece. Uns são portugueses especiais, outros pertencem à manada marcada para abater nas finanças.
O que é uma grande vergonha, como é o mais recente caso: Então, não é que o PCP, que anda sempre a bater-se contra as desigualdades e os ricos, propôs na Assembleia da República (AR) que os magistrados (juízes) reformados, que sempre ganharam muito bem, não sejam atingidos pelos cortes nas pensões e não é que foi a proposta votada por unanimidade?!
Querem mais pouca-vergonha do que esta neste país, que em contra-ciclo continua a roubar aos pobres para dar aos ricos?
Afinal, que favores lhes devem os políticos?
Ora adivinhem lá… Afinal, já nada é estranho quando a da Presidente da AR, Assunção Esteves, ao fim de apenas 10 anos de trabalho, se reformou com uma pensão bem boa.
Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 23 de Fevereiro de 2012
