Talvez seja bom começar a pensar seriamente sobre factos com que todos os dias somos confrontados, e que deixam qualquer um de boca aberta.
Para não ser fastidioso, alude-se apenas a meia dúzia desses factos, bem se sabendo que os há por aí às centenas e às escâncaras de tudo e de todos.
António Lobo Xavier: Administrador não executivo da Sonaecom, da Mota-Engil e do BPI, auferiu 83 mil euros no ano passado (não está contemplado o salário na operadora de telecomunicações, já que não consta do relatório da empresa). Tendo estado presente em 22 encontros dos conselhos de administração destas empresas, ganhou por cada reunião, mais de 3.700,00 euros.
António Lobo Xavier: Administrador não executivo da Sonaecom, da Mota-Engil e do BPI, auferiu 83 mil euros no ano passado (não está contemplado o salário na operadora de telecomunicações, já que não consta do relatório da empresa). Tendo estado presente em 22 encontros dos conselhos de administração destas empresas, ganhou por cada reunião, mais de 3.700,00 euros.
José Pedro Aguiar-Branco: o agora ministro da defesa é outro dos "campeões" dos cargos nas cotadas nacionais. É presidente da mesa da Semapa (que não divulga o salário), da Portucel e da Impresa, entre vários outros cargos. Por duas presenças em assembleias gerais em 2009, Aguiar-Branco recebeu 8.080,00 euros, ou seja, 4.040,00 euros por reunião.
António Nogueira Leite: é administrador não executivo na Brisa, EDP Renováveis e Reditus, entre outros cargos, tendo recebido 193.000,00 euros pela presença em 36 encontros destas companhias; o que corresponde a mais de 5.300,00 euros por reunião.
João Vieira Castro: em 2009 recebeu 45.000,00 euros pela presença em apenas quatro reuniões, na qualidade de presidente da mesa da assembleia geral do BPI, da Jerónimo Martins, da Sonaecom e da Sonae Indústria.
Daniel Proença de Carvalho: é presidente do conselho de administração da Zon, é membro da comissão de remunerações do BES, vice-presidente da mesa da assembleia geral da CGD e presidente da mesa na Galp Energia. E estes são apenas os cargos em empresas cotadas, já que Proença de Carvalho desempenha funções semelhantes em mais de 30 empresas. Considerando apenas estas quatro empresas (já que só é possível saber a remuneração em empresas cotadas em bolsa), recebeu 252.000,00 euros. Tendo em conta que esteve presente em 16 reuniões, Proença de Carvalho recebeu, em média e em 2009, 15.800,00 euros por reunião.
Assunção Esteves: reformou-se ao 42 anos, com a pensão mensal (14 vezes/ano) de 2.315,51 euros. No exercício do seu actual cargo a actual Presidente da Assembleia da República recebe ainda de vencimento mensal (14 vezes/ano) 5.799,05 euros e de ajudas de custas mensal (14 vezes/ano) 2.370,07 euros . Aufere, portanto, a quantia anual de 146.784,82 euros, ou seja, recebe do erário público, a remuneração média mensal de 12.232,07 euros (doze mil, duzentos e trinta e dois euros e sete cêntimos!!!). Para além de ter direito a uma viatura oficial a tempo inteiro.
Com este panorama, não é fácil explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários, principalmente se nos lembrarmos que um soldado da GNR aufere 800,00 euros por mês para arriscar a vida e um bombeiro pouco mais de 960,00 euros para salvar vidas.
Com este panorama, não é fácil explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários, principalmente se nos lembrarmos que um soldado da GNR aufere 800,00 euros por mês para arriscar a vida e um bombeiro pouco mais de 960,00 euros para salvar vidas.
E tudo se complica ainda mais quando o Orçamento de Estado para 2012 contempla o corte nos subsídios de férias e de natal…
Principalmente quando se recorda que o regime de atribuição dos subsídios de férias e de Natal ao funcionalismo público (Decreto-Lei n.º 496/80 de 20 de Outubro) que consagra expressamente (art. 17º) que ‘os subsídios de natal e de férias são inalienáveis e impenhoráveis’ tendo sido instituído por um governo liderado por Francisco Sá Carneiro, alguém que entendia os políticos como alguém a quem 'cabe cada vez mais dinamizar as pessoas para viverem a sua liberdade própria, para executarem o seu trabalho pessoal, para agirem concretamente na abolição das desigualdades; para isso mais importante que a doutrinação, é levar as pessoas a pensarem, a criticarem, a discernirem".
Uma convicção que, aos olhos de hoje, não passa de uma utopia!
*Texto parcialmente adaptado a partir de e-mail anónimo que circula pela net
Uma convicção que, aos olhos de hoje, não passa de uma utopia!
*Texto parcialmente adaptado a partir de e-mail anónimo que circula pela net
