quarta-feira, 26 de outubro de 2011

AS COLMEIAS SAGRADAS E AS ABELHAS FURIOSAS

Não há cão nem gato que não se atire com manifesta indignação e desprezo ao ministro da Economia. Empresários, economistas disto e daquilo, académicos, politólogos, comentadores, tudólogos e por aí adiante.

Pelo que se vê no mercado, a coisa está a dar e é politicamente correcto dar umas valentes caneladas no homem que teve o azar de deixar o Canadá para aterrar na Horta Seca.

As razões são das mais diversas, todas elas perfeitamente justificáveis. E as motivações saltam à vista de qualquer atrasado mental que ainda tenha dois dedinhos de testa.

Vamos então a factos. Como se sabe, o lugar de ministro da Economia foi objecto de muitas disputas entre o CDS e o PSD. Percebe-se porquê. No estado a que chegou o país, conseguir um lugar de enorme peso no governo era quase uma questão de vida ou de morte. Com Paulo Portas seguro nos Negócios Estrangeiros, o CDS tentou o tudo por tudo para ficar com a Economia. Nomes não faltavam e a imprensa foi dando boa nota dos candidatos ao lugar.

É evidente que no PSD a fila de ministeriáveis não era menor. A visibilidade de um ministro que tinha de pôr na ordem uma parte substancial do sector empresarial do Estado e reduzir dessa maneira os brutais endividamentos e prejuízos era algo de apetecível para qualquer partido que se preze e o PSD lutou até ao fim para não largar esse ministério. E conseguiu levar a água ao seu moinho. Mas para mal das ambições de muitos reputados candidatos, a escolha de Passos Coelho não foi para nenhum académico das prestigiadas escolas de economia do país, para gestores de empresas que dão lucros sem grandes cérebros aos comandos ou para qualquer luminária que pastoreava no Estado.

Não. O primeiro-ministro foi buscar a uma universidade canadiana Álvaro Santos Pereira e entregou-lhe um superministério. Aqui começou a via sacra do ministro. De mão limpas, sem compromissos com parceiros sociais ou com os lobbies dos subsídios, o ministro já tem um plano de transportes que mexe a sério com muitos milhões de interesses, alterou as leis do trabalho e abriu uma guerra, que ainda está longe de estar acabada, com o poderoso sector eléctrico, que conseguiu nos últimos anos fazer uma autêntica sangria de fundos públicos em seu proveito.

Álvaro Santos Pereira atacou várias colmeias e tem agora enxames de abelhas de cabeça perdida. Umas querem que o ministro tenha mais peso político, outras que apareça mais vezes e anuncie medidas que façam a economia crescer. Pura falácia. O que todas querem com estas conversas da treta são anúncios de mais subsídios, mais benefícios fiscais e nada de reformas a sério. Enfim, o costume.

Esquecem obviamente que o melhor incentivo que se pode dar à economia é rebentar com o sector público dos transportes. Esquecem obviamente que a economia precisa é de menos Estado e de menos impostos. E precisa como pão para a boca que o Estado salte da economia e reduza drasticamente a burocracia. que só fomenta a corrupção. As abelhas não estão incomodadas com a economia. Estão incomodadas é com as suas respeitáveis colmeias.

António Ribeiro Ferreira, aqui