Os factos são estes: o jornal Expresso, em artigo co-assinado pelo seu director, Ricardo Costa, escreveu que os serviços secretos investigaram Bernardo Bairrão a pedido do Governo.
O antigo administrador da TVI fora convidado para secretário de Estado da Administração Interna mas, lê-se, um SMS enviado a Passos Coelho pela jornalista Manuela Moura Guedes (que Bairrão tirara dos ecrãs quando ela fazia noticiários anti-Sócrates e que, segundo a própria, Balsemão, dono do Expresso, afastara recentemente da SIC) levantou suspeitas sobre o homem.
A nomeação, anunciada publicamente e apresentada a Cavaco Silva, foi cancelada à última hora.
Também é facto que o próprio Passos Coelho veio entretanto desmentir o pedido de informações à "secreta", coisa que, a ter acontecido, seria ilegal. É igualmente factual outro desmentido: o de Bairrão sobre o seu envolvimento em negócios em Angola, o motivo apontado para suspeições.
Na lista das coisas que neste caso não levantam dúvidas está a credulidade do presidente do Conselho de Fiscalização de Informações, Marques Júnior: ele garante que perguntou aos directores do SIS e do SIED (os dois empregadores de espiões do Estado) se alguém teria investigado Bairrão. Eles responderam que não. O fiscal descansou.
Ainda facto comprovável está a reafirmação, pelo Expresso, através do seu convicto director, da notícia inicial.
No capítulo dos factos temos, assim, uma série que só adensa dúvidas e a falta da confirmação essencial, divididos que estamos entre as palavras dadas por Passos Coelho e por Ricardo Costa.
Mas que interessa? Esta pequena tempestade acabará esquecida, inconclusiva, graças à eficácia operacional, a bem da República, que uma investigação do Ministério Público, do Parlamento ou de qualquer entidade amiguinha, competentemente garantirá.
No capítulo dos desmentidos surpreende-me, no entanto, não existir algum sobre o SMS enviado por Moura Guedes. Parto, portanto, do princípio de que a mensagem foi mesmo entregue a Passos Coelho. Este, com certeza, leu-a mas, garante, não mandou o SIS investigar... E Bairrão foi corrido.
Verificar que um primeiro-ministro reverte em horas uma decisão já apresentada ao Presidente da República por causa de um SMS de Manuela Moura Guedes deixa qualquer um assustado. Mais ainda do que os serviços secretos andarem a espiar cidadãos!
Não percebe, caro leitor? Eu explico com uma pergunta: Há mesmo um Governo em Portugal ou, afinal, é a Manela que manda?...
Pedro Tadeu, aqui