"Qual é o nome deste animal?", perguntou, espantado, o explorador James Cook ao ver um animal a deslocar-se aos saltos. "Kangooroo", respondeu-lhe o nativo australiano, o que no seu dialecto queria dizer "não compreendo".
Foi deste equívoco linguístico que nasceu o nome comum desta espécie simpática.
Ao invés do canguru, o porco e o burro não tiverem sorte nenhuma com o baptismo, o que tem marcado muito negativamente a existência destas duas classes de mamíferos pelas quais nutro uma enorme admiração.
Sei que o carinho que me inspiram burros e porcos se deve em boa parte ao complexo de Robin Hood que me habita desde pequenino e levou a que na infância sonhasse ser veterinário e na adolescência devorasse o essencial das obras de Marx (à excepção do inabordável Capital, o que me obrigou a aprender em vulgatas as bases económicas da teoria económica marxista), Lenine e Trotsky, para ficar apetrechado a integrar a vanguarda da revolução que poria termo às injustiças e desigualdades - e construiria um mundo melhor.
Se eu e os revolucionários da minha geração não tivéssemos falhado estrondosamente esta tarefa, estou seriamente convencido que nesse mundo melhor se procederia a um rebranding dos burros, rebaptizando-os com um nome que fizesse justiça à sua humildade e imensa capacidade de trabalho, e, no caso dos porcos, relevando o papel absolutamente fundamental que eles têm nossas vidas.
A ternura que os porcos me inspiram, leva-me a acompanhar os desenvolvimentos da investigação científica sobre estes animais que são a matéria de um sem número de divinais iguarias, como o leitão, presunto, rojões, etc.
O hábito dos porcos se rebolarem na lama era explicado pela necessidade de manterem a pele fresca, pois não têm glândulas sudoríparas. Ora um estudo de um cientista holandês, publicado no Applied Animal Behavior Science, lança uma nova luz sobre a matéria ao garantir que os porcos se rebolam na lama para serem mais sexy (tal como as mulheres se maquilham ou os homens se perfumam) e assim atraírem os parceiros para a reprodução.
Na semana passada, cientistas sul-coreanos concluíram com sucesso a modificação genética de um porco de modo a aumentar as probabilidades de usar os seus órgãos em transplantes para seres humanos e diminuir as probabilidades de rejeição.
Partilho estas informações na esperança que elas vos ajudem a olhar de outra maneira para os porcos e a compreenderem porque é que às vezes, ao ler no nosso JN o relato de alguns actos cometido por membros da raça humana, dá-me vontade de adaptar a famosa frase de Madame De Stael e desabafar: "Quanto mais conheço os homens, mais gosto dos porcos".
Jorge Fiel, aqui