Este ano há mais 647 vagas nas universidades públicas do que em 2010. Muitos lugares não são sinal de boa saída.
As pautas da primeira fase dos exames estão afixadas e as candidaturas ao ensino superior arrancam na quinta-feira, 21 de Julho, este ano só na internet. Há mais 647 vagas, num total de 54 068. Num quinto dos cursos disponíveis nas universidades e politécnicos públicos (1152) é possível entrar com média de 11, sendo esta a maior fatia.
Há ainda 40 cursos onde a nota de entrada, tendo em conta a média do último colocado em 2010, é inferior a 10 valores. E são tão variados como Agronomia, Filosofia, Marketing ou Engenharia Florestal. Abrem ainda 23 novos cursos de norte a sul do país, em áreas como História e Arqueologia, Sociologia, Química ou Ciência Política.
Quando se cruzam as vagas disponibilizadas ontem pelo Ministério da Educação e Ensino Superior com os últimos dados sobre empregabilidade de diplomados, divulgados em Março pelo Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais (GPEARI) deste mesmo ministério, percebe-se contudo que as áreas com mais vagas são as mesmas em que o mercado de trabalho tem maior dificuldade em absorver todos os licenciados. Segundo as contas do ministério, a área de Ciências Sociais, Comércio e Direito é a que oferece mais vagas (28%).
Ora no documento do GPEARI, que analisa os diplomados inscritos nos centros de emprego no final do ano passado, percebe-se que nestas áreas a percentagem de desempregados entre os diplomados que terminaram o curso nos últimos dez anos varia entre os 7,7% para quem tirou cursos na área das Ciências Sociais e Comportamento e 10,7% nos licenciados em Serviços Sociais. A licenciatura de Direito da Universidade de Lisboa era a terceira no ranking dos cursos nacionais com mais inscritos nos centros de emprego e este ano esta licenciatura é de novo campeã nacional em termos de vagas: 450 no total. Nos últimos dez anos formou 4324 pessoas e 197 estavam no desemprego no final do ano passado. À frente, ao nível das escolas públicas, aparece o curso de Economia da Universidade do Porto, com 2281 pessoas formadas desde o ano lectivo 1999-2000 e 220 registos nos centros de emprego. Este ano o curso é o 11.o com mais vagas, um total de 223.
As indicações sobre o mercado de trabalho poderão não ser muito específicas, mas são as mais recentes para quem procurar pistas sobre empregabilidade na véspera de se candidatar à universidade. Ciências Empresariais (18% dos desempregados com curso superior), Ciências Sociais e do Comportamento (12%) e Ciências da Educação (10%) são as áreas mais lotadas. Têm luz verde os Serviços de Transporte e Segurança, Ciências Veterinárias, Matemática e Estatística e Informática. Em termos globais regista-se ainda um aumento das vagas para ensino à distância, 310 no total. Os cursos em regime pós-laboral abrem 456 lugares.
Acesso especial.
Este ano o acesso especial a Medicina para licenciados ganha 133% de vagas, para um total de 217. O aumento, só para este tipo de candidatos, resulta da entrada em vigor de um novo cálculo de vagas (deverão ser no mínimo 15% do contingente geral) previsto no decreto-lei que introduziu esta modalidade em 2007. No total, os nove cursos de Medicina do país então a oferecer 1809 vagas (1517 para alunos finalistas do ensino secundário).
Para o bastonário da Ordem dos Médicos o aumento é um "absurdo e um desperdício de recursos", sobretudo porque o Estado está a pagar "duas licenciaturas quando estes médicos não são necessários." Ao i José Manuel Silva disse que as vagas deviam começar a ser reduzidas para evitar o "excesso de médicos" nos próximos anos, que se traduzirá numa "mercantilização dos doentes e em fuga de cérebros". Pelas contas da OM, no próximo ano começarão a formação mais de 600 futuros médicos a mais.
Marta F. Reis, aqui