O Ministro das Finanças, cumprindo o prometido pelo governo, veio explicar ao país a sobretaxa que vai incidir, este ano, sobre o subsídio de Natal dos que ganham acima do valor do ordenado mínimo.
Fê-lo com calma e clareza, sem olhar para o relógio ou para a política, ao contrário do que era feito pelos anteriores inquilinos que sempre esconderam esqueletos nos armários, entre o voto e os jogos florais de gorda demagogia. Victor Gaspar foi capaz de dizer a verdade, ainda que dura, e o que vai fazer, quanto a nacionalizações.
É verdade que ninguém gosta de pagar mais impostos, mas este, anote-se, vem na sequência de “um desvio orçamental”, que pode dizer-se abissal, dois biliões de euros, a exigir colossal esforço de todos. É a factura da crise, mas também da má gestão rosa. O governo prevendo, de certo modo, esta derrapagem, teve de avançar, dando o dito por não dito, com este remédio que dá dores de cabeça, mas, pela primeira vez, o imposto toca a todos.
Notas positivas: uma delas é o facto de quem tiver mais do que uma reforma pagará sobre todas; outra é o contributo dos que recebem com recibos verdes e dos que têm mais valias provindas de vendas de casas ou de rendas; uma terceira prende-se com o facto de ter levado em conta os casais com filhos, pagarão menos. Pensamos haver justeza de critérios. Ainda que seja a classe média a pagar os desmandos da classe política. Todavia, há quem diga que a taxa é injusta.
Deveriam ser penalizados os juros e os dividendos. Mais os dividendos chorudos. Victor Gaspar justificou a excepção pela necessidade de incentivar as poupanças de quem, em vez de gastar à doida, foi capaz tirar algum à boca. Carvalho da Silva anti-capitalista compulsivo, esse fala da falta de coragem para afrontar o sistema financeiro que felizmente acaba de passar o teste de stress.
Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 21 de Julho de 2011.