O chamado bom povo português (o mesmo que "desacorre" - passe o sabor a João Guimarães Rosa de tal palavra - cada vez em maior número a eleições) dá, por vezes, sinais de surpreendente perspicácia.
Se não como interpretar os resultados do "estudo qualitativo" da Marktest agora divulgados, segundo os quais a esmagadora maioria dos portugueses responsabiliza pela situação financeira do país não só o primeiro-ministro mas também Cavaco Silva?
De facto, para 86% dos inquiridos, se Sócrates deveria ter reagido mais cedo à pressão dos mercados, Cavaco deveria , por seu lado, ter tido um papel mais activo na actual crise financeira e política.
Dê-se de barato que Cavaco Silva não tenha tido um papel activo na parte política da presente crise, já que, pelo que se vai sabendo aos poucos, do encontro entre Passos Coelho e Sócrates em S. Bento ao SMS aos deputados do PSD para que não prejudicassem as negociações do PEC 4 em curso em Bruxelas, tudo aponta para interposta mãozinha da Presidência da República no súbito "volte face" de Passos Coelho que levou à queda do Governo.
Registe-se, no entanto, que não passou desapercebida à grande maioria dos portugueses a tentativa do "pai do monstro" (como Cadilhe o chamou) para, fazendo-se de morto, passar sem se molhar entre as gotas de chuva da tempestade social que aí virá com a intervenção externa de FMI, BCE e UE.
O "Facebook", afinal, não lava mais branco.
Manuel António Pina, aqui