Presidentes de câmara, actuais e futuros líderes e gestores públicos regressam, sexta-feira, às aulas para um "master" em Administração Pública, projecto universitário inserido num plano mais vasto para colmatar a falta de formação das lideranças regionais.
O "Master in Public Administration" (MPA), formação avançada em governação, administração e políticas públicas, foi lançado pela Universidade Católica do Porto, em parceria com a Universidade de Aveiro. O objectivo é "combater a fraca preparação dos políticos e aumentar a produtividade das empresas públicas".
O programa inclui uma especialização em Governação, Inovação e Políticas Públicas e outra em Governação Autárquica e Liderança. A turma, com duas dezenas de alunos, tem presidentes de câmara, como os de Boticas (Trás-os-Montes) e Lamego (Alto Douro), técnicos superiores das autarquias e pessoas indicadas pelos partidos, por serem apostas para o futuro. Mas o curso envolve outros gestores da coisa pública.
"Não basta ter vontade, é preciso formação e qualificação", disse, ao JN, Joaquim Azevedo, presidente do Centro Regional do Porto da Universidade Católica. O "master", que terá lugar naquela universidade, insere-se num "projecto mais vasto" de "formação das lideranças regionais", explicou, apontando um horizonte de 20 anos para "o solidificar".
O novo programa dirige-se a quem gere a coisa pública, na administração central e desconcentrada e na administração autárquica. E "a todos cuja actividade presente ou prospectiva requer a compreensão e análise crítica dos fenómenos políticos, sociais e económicos" associados à administração e políticas públicas.
"Há aqui uma oportunidade única", disse o presidente da Católica do Porto, uma vez que "80% dos presidentes de câmara vão sair por força de normativos legais" (limitação de mandatos) e haverá "uma renovação enorme de lideranças", sendo "preciso formar esses líderes". A seu ver, o desafio coloca-se, simultaneamente, "ao nível das políticas públicas e da renovação destas", num momento de "muita dificuldade".
"Há questões de primeira linha que estão na agenda política nacional e internacional", notou, dando o exemplo do Estado Social. Crê que o cenário de transformação "exige uma capacidade de reflexão muito mais exigente" e "profunda" sobre a gestão das políticas. E diz que "há problemas muito claros de gestão", nomeadamente "nas empresas públicas". Em suma, "temos de ser muito mais eficientes, gastar menos e fazer melhor" na Administração Pública. Os políticos, refere ainda, "estão mal preparados" porque "não têm uma escola de formação de dirigentes" no país.
Francisco Lopes, presidente da Câmara de Lamego que tem 43 anos e está no segundo mandato, deixou-se motivar pelo "programa e pelo conjunto de docentes", apesar de já ter alguma formação nesta área - fez uma pós-graduação em Engenharia e Planeamento Municipal, algo "mais técnico".
"Estamos num mundo em grande mudança e temos de nos adaptar a ele", explicou ao JN, referindo-se aos políticos em geral. "Não há certezas sobre nada, temos de estar atentos aos sinais e encontrar as melhores soluções", destacou. Da sua parte, quer estar "melhor preparado" para as funções que já exerce e para aquelas que possa vir a desempenhar.
Carla Soares, aqui