domingo, 10 de outubro de 2010

O FUTEBOL VOLTOU A SAIR DERROTADO

Ainda não se completou um mês desde que o Benfica jogou em Guimarães e a “cidade-berço” de Portugal volta a estar no epicentro de nova polémica do futebol nacional.

Depois da revolta “encarnada” contra Olegário Benquerença, é agora a vez de o FC Porto clamar por “justiça”. Os portistas, com André Villas-Boas a assumir por inteiro o protagonismo, queixaram-se do árbitro Carlos Xistra no final da partida em que viram interrompida uma série impressionante de triunfos consecutivos. Enquanto aguarda por 2012 para ser Capital Europeia da Cultura, Guimarães já é a capital desportiva da polémica. E o futebol volta a perder com isso.

O que há em comum entre as queixas de benfiquistas e portistas? A resposta é simples: o mesmo adversário e um resultado negativo. Polémicas à parte, porque a fronteira entre uma decisão acertada ou errada de um árbitro, aos olhos de um comum adepto, está sempre na “cor dos óculos” que se usa, os altos responsáveis do futebol português, pagos principescamente, continuam a dar péssimos exemplos. E aí, a cor da camisola que usam é indiferente. É que os comportamentos mudam consoante as conveniências e, como disse há uns anos Pimenta Machado, curiosamente um antigo presidente do V. Guimarães, no futebol “o que hoje é verdade, amanhã é mentira”.

No país dos três “F” (Fado, Futebol e Fátima), é difícil encontrar um adepto que goste verdadeiramente de futebol. Na verdade, o que os portugueses gostam é do clube que apoiam, seja ele o Benfica, o FC Porto ou o Sporting. O futebol transformou-se num negócio onde o que interessa é ganhar. E pouco importa como é que isso é conseguido.

O comportamento de André Villas-Boas no final da partida em Guimarães em nada é diferente do que se passou há meia dúzia de dias na mesma cidade com Jorge Jesus, Rui Costa e Luís Filipe Vieira. Não está em causa quem tem ou não razão nos protestos. A questão fundamental é que, até prova em contrário, os treinadores (ou presidentes) dos principais clubes continuam a não ter qualquer tipo de legitimidade para se queixarem das supostas (más) decisões dos árbitros. As estatísticas mostram que no final dos campeonatos são eles os grandes beneficiados e continua por aparecer quem reconheça que ganhou sem merecer, agradecendo a ajuda de quem apitou a partida. Até lá, o futebol continua a sair derrotado. Como em Guimarães.

David Andrade, aqui