quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

CIENTISTA PORTUGUÊS CAPTA IMAGENS DE ÁTOMOS INDIVIDUAIS

Investigador português capta imagem de átomos individuais
Paulo Ferreira, professor na Universidade do Texas, em Austin, EUA, acaba de dar um passo importante na visualização de átomos individuais


Na Universidade de Kyushu, Japão, trabalhou com os investigadores Matsumura, Higashida, Yamamoto e Daio, utilizando um microscópio eletrónico de alta resolução que permitiu colher uma das melhores imagens até à data conseguidas de átomos individuais.

Com esta descoberta, Paulo Ferreira fica mais próximo do seu principal objetivo: documentar o passeio aleatório de um único átomo e, fundamentalmente, "compreender as leis de difusão (transporte de massa) na superficie, em função do tamanho do sistema, abrindo portas a uma grande variedade de aplicações".

"As imagens foram geradas pela transmissão de um feixe de eletrões, através de um filme de seis camadas de carbono amorfo que continha pequenas quantidades de átomos de ouro na superficie. O feixe de electrões, que é 800 mil vezes mais pequeno que a espessura de um cabelo humano, varre o substrato de carbono e os átomos de ouro em linhas, semelhante à forma como funciona um aparelho de televisão", explica o investigador. 

Como os átomos de ouro são muito mais densos que os átomos de carbono, aqueles são capazes de defletir os electrões de uma forma mais eficiente, os quais são recolhidos num detetor, formando assim as imagens.

"Os átomos de ouro aparecem na imagem em forma de pontos brilhantes, enquanto o carbono apresenta-se como um fundo preto. A imagem permite perceber que os átomos de ouro formam aglomerados de átomos múltiplos, dímeros (dois átomos), ou aparecem como átomos individuais", avança Paulo Ferreira.

Esta pesquisa de Paulo Ferreira significa um retomar da observação de Robert Brown, em 1827, sobre partículas suspensas num fluído e mais tarde discutidas por Einstein, no seu artigo sobre a teoria do movimento Browniano, que visa explicar o movimento aleatório de partículas, presumivelmente pulando ou saltando.

Este fenómeno pode ser observado no quotidiano, ao assistir às partículas de pó que se movem aleatoriamente num raio de sol. Ora, Paulo Ferreira persegue a possibilidade de fotografar o movimento de apenas um átomo de cada vez, para posteriormente mapear os seus movimentos, segundo uma lógica matemática.

O grande objetivo do investigador é alargar a capacidade de previsão do comportamento atómico que conduzirá à compreensão da difusão de superfície e alargar o campo de aplicações em nanotecnologia, em particular aquelas que são influenciadas por temperatura.

Alargando a análise do movimento browniano, Paulo Ferreira conclui que "a amplitude de movimento para os átomos em movimento é infinita num sistema macroscopico. Mas, a escala nanometrica (bilionesimo de 1 metro), a situação é bem diferente. Ou seja, o movimento atomico é limitado pelo tamanho do sistema, o que altera o transporte dos mesmos e origina um profundo impacto em qualquer fenomeno de superfice".

Currículo
Como Professor Associado e Diretor do Centro de Microscopia Eletrônica do Programa de Ciência dos Materiais e Engenharia da Universidade do Texas, em Austin, a pesquisa em nanomateriais, por Paulo Ferreira, é largamente aplicada a energias alternativas.

Paulo Ferreira foi co-autor de três livros e tem atuado como assessor especial na estratégia do governo para a Ciência e Tecnologia em Portugal. 

Retirada daqui