Na mensagem de Ano Novo do Presidente da República (PR) houve
mais recados do que verdadeiras novidades.
Fez bem em promulgar o Orçamento do
Estado para este ano, de todos os riscos (económicos e sociais), todo de tintas
carregadas, e enviá-lo para o Tribunal Constitucional para fiscalização
sucessiva.
Razões para esta solução?
As dúvidas de Cavaco quanto à justiça na repartição dos sacrifícios. Dúvidas
que o povo do rés-do-chão não tem. E ele nem precisa de olhar muito para o lado.
Falou ainda de esperança aos portugueses que têm sido exemplo de
responsabilidade. Assim no-la proporcionem o governo e os políticos.
Os recados mais duros dirigiram-se ao governo - “é urgente pôr cobro a esta espiral recessiva”.
O remédio pode estar num maior diálogo, não só dentro da coligação, mas também
com os partidos da oposição, sobretudo com o PS, que assinou o memorando,
privilegiando ainda a concertação com os parceiros sociais, de modo a suscitar
o crescimento económico.
Pelo caminho que o rei Gaspar nos leva - “um processo
de redução do desequilíbrio das contas públicas, acompanhado de um crescimento económico negativo tende a
tornar-se socialmente insustentável” – só pode fazer-nos mais pobres e
engrossar o número dos desempregados, quando mais do que nunca é preciso
restabelecer a confiança dos portugueses, levando-os a acreditar que os
sacrifícios que estão suportando valem a pena.
Poucos acreditam que seja
Setembro a trazer no ventre o princípio da recuperação. Não basta recuperar a
confiança externa dos nossos credores. O governo tem de trabalhar e fazer bem,
acertar nas previsões, “para unir os portugueses e não dividi-los”.
Externamente, Passos é elogiado, batem-lhe pancadinhas nas costas. No país,
esperam-no e chamam-lhe todos os nomes.
Recado deixou também ao PS, que se diz pronto a governar o
país já amanhã. O PR não vê vantagem alguma em juntar à grave crise económica
uma crise política com a queda do governo.
Aqui reside uma das grandes
incógnitas deste novo ano.
Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 3 de Janeiro de 2013
