sábado, 5 de janeiro de 2013

ANO DE TODOS OS RISCOS


Na mensagem de Ano Novo do Presidente da República (PR) houve mais recados do que verdadeiras novidades

Fez bem em promulgar o Orçamento do Estado para este ano, de todos os riscos (económicos e sociais), todo de tintas carregadas, e enviá-lo para o Tribunal Constitucional para fiscalização sucessiva. 

Era expectável. Não tinha outra alternativa: o país está sob assistência financeira. Só os que vivem nas nuvens da utopia, poderiam esperar procedimento diferente, apesar das muitas pressões. 

Razões para esta solução? As dúvidas de Cavaco quanto à justiça na repartição dos sacrifícios. Dúvidas que o povo do rés-do-chão não tem. E ele nem precisa de olhar muito para o lado. Falou ainda de esperança aos portugueses que têm sido exemplo de responsabilidade. Assim no-la proporcionem o governo e os políticos.

Os recados mais duros dirigiram-se ao governo -  “é urgente pôr cobro a esta espiral recessiva”. O remédio pode estar num maior diálogo, não só dentro da coligação, mas também com os partidos da oposição, sobretudo com o PS, que assinou o memorando, privilegiando ainda a concertação com os parceiros sociais, de modo a suscitar o crescimento económico. 

Pelo caminho que o rei Gaspar nos leva - “um processo de redução do desequilíbrio das contas públicas, acompanhado  de um crescimento económico negativo tende a tornar-se socialmente insustentável” – só pode fazer-nos mais pobres e engrossar o número dos desempregados, quando mais do que nunca é preciso restabelecer a confiança dos portugueses, levando-os a acreditar que os sacrifícios que estão suportando valem a pena. 

Poucos acreditam que seja Setembro a trazer no ventre o princípio da recuperação. Não basta recuperar a confiança externa dos nossos credores. O governo tem de trabalhar e fazer bem, acertar nas previsões, “para unir os portugueses e não dividi-los”. 

Externamente, Passos é elogiado, batem-lhe pancadinhas nas costas. No país, esperam-no e chamam-lhe todos os nomes.

Recado deixou também ao PS, que se diz pronto a governar o país já amanhã. O PR não vê vantagem alguma em juntar à grave crise económica uma crise política com a queda do governo. 

Aqui reside uma das grandes incógnitas deste novo ano. 

Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 3 de Janeiro de 2013