quinta-feira, 14 de julho de 2011

ATÉ QUANDO?

A Câmara Municipal de Oliveira do Bairro contratou três eventos da volta a Portugal em Bicicleta, para os próximos três anos.

Uma partida e duas chegadas com um espetáculo musical no último ano (ou não fosse ano de eleições) custarão 180.000 € + IVA, valor que com certeza por coincidência, não é referido na acta da reunião em que foi anunciado. Considerando este valor, desde 2007, a Câmara Municipal gastou quase meio milhão de euros com a Volta a Portugal em Bicicleta.

Apesar da facilidade com que se estraga este dinheiro público, há iniciativas muito baratas, que melhoram directamente a vida das pessoas, que a Câmara Municipal não aceitou implementar. Foi apresentada uma proposta de reembolso das despesas em material escolar dos 5 melhores alunos dos 2º e 3º ciclos das escolas do concelho. Foi apresentada uma proposta de adesão ao Projecto Obesidade Zero (POZ) ao abrigo da lei específica em vigor (para evitar a obesidade das crianças). Foi proposta a criação de prémios literários de forma a estimular a criatividade literária juvenil. Foi proposto um regulamento de Incentivo à Natalidade e Apoio à Família no Concelho de Oliveira do Bairro. Todos foram recusados pelo Executivo Municipal. Porquê? Porque foram apresentadas pelos vereadores eleitos pelo CDS/PP.

A gestão municipal dos últimos anos em Oliveira do Bairro faz lembrar a governação do Eng. Sócrates. Um modelo baseado no endividamento e nas grandes obras públicas em detrimento do rigor na despesa e na preocupação com as pessoas. O resultado no país está à vista. Em Oliveira do Bairro, não será necessário um plano de resgate financeiro. O Dr. Acílio Gala deixou um conjunto de infraestruturas que geram receitas suficientes para a Câmara Municipal não ter dificuldades financeiras. Apesar de já ter vendido a rede de distribuição de águas do concelho, a Câmara Municipal ainda vai solvendo os seus compromissos. No entanto, se continuarem as obras megalómanas e o despesismo com actividades, como por exemplo, o ciclismo, a estabilidade financeira do município não durará muito tempo. Tal como no país, também aqui será o povo a pagar.

A Escola de Artes da Bairrada é um caso de sucesso que excedeu as melhores expectativas. De ano para ano, o número de alunos tem crescido, sendo necessário pensar em aumentar as instalações. Nas últimas semanas decorreram as audições de final do ano, com a presença de pais e amigos, e a falta de condições e espaço foi flagrante. As pessoas não couberam nas salas, gerou-se confusão e barulho e as audições foram feitas em condições muito más, que não dignificam o trabalho dos alunos e dos professores. Em 2005, pouco mais de um ano depois da inauguração da Escola de Artes, estava pronto a ser adjudicado um projecto para a construção de um auditório anexo à Escola. Quando chegou ao poder, o Sr. Presidente da Câmara cancelou o projecto considerando que não era prioritário. A prioridade foi construir um auditório em Oiã e outro em Oliveira do Bairro (integrado na Casa da Cultura que se custará mais de quatro milhões de euros). Trata-se de espaços muito caros, mas que vão ser muito pouco utilizados porque de facto, são pouco necessários naqueles locais. Enquanto isso, na Escola de Artes da Bairrada, as audições e os espectáculos continuarão a ser feitas em salas de aula apinhadas de gente aos empurrões e sem as condições mínimas.

O novo auditório de Oiã foi inaugurado há poucos dias. Ironia do destino, o primeiro pedido de utilização do novo auditório foi feito para angariação de fundos pela comissão de festas do padroeiro…do Troviscal.

P.S. Será que os munícipes já repararam bem, no magnífico painel exterior do edifício público, em Oliveira do Bairro?

Jorge Pato
Presidente da Comissão Política Concelhia do CDS/PP de Oliveira do Bairro