Na passada semana, referi que o "novo" Código da Estrada é de um modo muito
evidente mais um exemplo de como em Portugal se legisla primeiro e se pensa
depois.
E isso, naturalmente, independentemente das ditas "consultas" à
sociedade civil, que se traduzem regra geral num curto conjunto de reuniões com
meia dúzia de associações, mais ou menos conhecidas do público.
Ora sendo a área
da segurança rodoviária da responsabilidade do ministro da Administração Interna
(MAI) Miguel Macedo seria - pois - de esperar que se fizesse alguma revisão a
posteriori das normas absurdas que agora passarão a vigorar.
Em
segundo lugar, e dado que é aos cidadãos que compete - em primeira instância -
conduzir e comportar-se de forma civilizada e com urbanidade nas estradas, só
seria legítimo introduzir novas regras se se tivesse à partida um grau de
certeza elevado quanto ao seu cumprimento.
Por tudo isto, valerá, portanto, a pena dar dois exemplos do completo absurdo
deste Código da Estrada. O primeiro é o da já conhecida possibilidade de
circulação em paralelo nas vias públicas de dois ciclistas, ocupando por
completo uma das faixas de rodagem das estradas; fui contactado por muitos que
me confessaram que dificilmente o farão, pois consideram, evidentemente, muito
perigoso circular dessa forma.
Mas - e por absurdo - o que acontecerá depois de
aumentarem os acidentes com estas pessoas? De quem será a responsabilidade? Além
disso - e como segundo exemplo -, temos a circulação feita nas rotundas, agora
quase sempre obrigatória nas faixas de rodagem mais próximas do centro; só mesmo
quem parece desconhecer o que é circular de automóvel em Portugal é que se
poderia lembrar de semelhante normativo, que arrisca a potenciar também um
aumento significativo dos acidentes rodoviários em rotundas, especialmente nos
momentos em que os condutores cruzarem da faixa central para a lateral.
E quem
pagará por isso? Quem virá a ser responsabilizado?
Com semelhante incompetência do MAI, parece que só nos resta - pois - esperar
por dias melhores. Ou por outro Governo.
Paulo Pereira de Almeida, aqui
