segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

EUSÉBIO, O PASSADO E O PRESENTE

Apesar de nunca ter sido do Benfica, sempre gostei de Eusébio. 

Foi o ídolo futebolístico da minha geração, que por sorte já leva no rol três reis da bola - além de Eusébio, Figo e Ronaldo.

Eusébio nasceu para o mundo do futebol numa sucursal do Sporting em Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique (e parece que é destino dos Leões criarem magos que os outros aproveitam). Veio parar ao rival, porque um funcionário do Benfica se antecipou. Apesar de o Sporting ter tentado tudo para ficar com ele, os papéis já estavam assinados.

Vi-o jogar algumas vezes. Era indescritível. Em 1966, quando virou um resultado de 0-3 para 5-3, frente à Coreia do Norte, no Mundial de Inglaterra, penso que todos os portugueses o amaram e idolatraram. E daí em diante, Eusébio foi o rei do futebol, só tendo como sombra (como hoje Ronaldo tem Messi), o Rei Pelé.

Nunca pôde sair do Benfica (a condição de escravos que ainda é própria dos futebolistas, que não podem mudar de patrão quando querem, só recentemente minorou). O Estado português salazarista impediu-o de partir por essa Europa que o convidava, como depois fariam Figo e Ronaldo, e chegou a incorporá-lo na tropa para o impedir de sair de Portugal. 

Só em 1975, com 34 anos de idade e depois do 25 de Abril, rumou a Rhode Island e a Boston, ajudando a lançar o soccer na América. Em Portugal, jogaria ainda pelo Beira-Mar e pelo União de Tomar (da segunda divisão), já perto dos 40 anos. Nunca foi milionário, porque os salários não eram o que são hoje. Nunca foi ídolo - para além daqueles que gostavam e gostam de futebol - porque nunca o deixaram jogar nos grandes do mundo (apesar de o Benfica, na década de 60, se aproximar, ou mesmo ter, esse estatuto).

Eusébio, que é reconhecidamente um dos grandes futebolistas do mundo (por todos os critérios, de todas as associações e jornais da especialidade) viveu este passado. No presente teria outras condições, outro mundo, outra fama, outra fortuna.

O destino de Eusébio, comparado com os de Figo e Ronaldo (e sem discutir se um é melhor do que os outros) é um retrato de Portugal e do mundo e do que mudaram no breve espaço de tempo que foi a vida do Pantera Negra.


Retirada daqui