quinta-feira, 26 de setembro de 2013

HISTÓRIAS COM LADRÕES


Sabem-se coisas no dia a dia

Os polícias prendem e os ministérios públicos desprendem, o que faz com que os ladrões saiam muitas vezes ainda primeiro do que eles, babando troça. 

Os polícias sem meios suficientes e mal armados (como nós antigamente nas guerras de África) e constantemente desautorizados, vão fazendo o que podem, mas nem sempre fazem o que devem.

O país nunca viveu tanta insegurança. Há máfias italianas, correndo de moto atrás do ouro enfeitando pescoços, braços, dedos, há violentos grupos de Leste. Mas hoje falemos dos nossos ladrões caseiros que, são de vária espécie e estirpe. É só ler os jornais. Ladroeira desenfreada é o que menos falta. E impostos.

Há dias, ouvimos uma história na tv, quase pitoresca… hoje anda de boca em boca. Com comentários pouco abonatórios para certa justiça. Parece que os assaltantes não têm deveres (bom comportamento cívico), só têm direitos, mesa, cama, tv, jogos, serem respeitados pelas vítimas, fazendo-lhes festas na cara, se apanhados, em vez de uns bofetões. 

Ora, há anos, um indivíduo disparou sobre um comerciante, apareceram familiares, o assaltante fugiu, tropeçou, caíram-lhe em cima, levou uns murros. O meliante foi condenado e preso, sendo obrigado a indemnizar a vítima em 18.000€. Agora, não é que o preso está a pedir uma indemnização de 15.000 pelos arranhões! Estão um pouco caros os murros, em face do preço do tiro na perna. Justificação: agressão que não foi em legítima defesa…

Mas há ladrões também dados ao diálogo. Há dias em Vila Nova de Gaia, mulher casada entrou em casa, chamou pelo marido (não teve resposta), mas, avançando, deu com um ladrão com que entabulou um sereno diálogo, se era um ladrão, como tinha entrado, o que já tinha arrumado, coisas assim  que dão para rir; acabou por pedir-lhe a chave e assim foi desarmando o gatuno.

E já nem falo daquela senhora idosa que, perante a presença de ladrões em casa, os foi tratando bem, carinhosamente, (parecia madre Teresa de Calcutá), amor não me leves isso; amor, não me faças mal; amores, que querem vocês de mim? Não me façam mal.

O país está inseguro, também o concelho. Mas alguém se preocupou com isso durante a campanha? 

Em caso  afirmativo, parabéns!

Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 26 de Setembro de 2013