Num curto espaço
de duas semanas, a sanha prepotente e eleitoralista do presidente da câmara de Oliveira do Bairro
determinou-o a proceder à reinauguração de dois polos escolares (Bustos e
Troviscal) e à inauguração de outros dois (Oiã-Nascente e Oiã-Poente).
Se quanto às reinaugurações
já tudo foi dito, sobre as inaugurações importa referir o facto de os
equipamentos se apresentarem ainda sem as devidas e necessárias condições de
utilização, quer em Oiã-Nascente (deficiências no assentamento dos pisos
interiores visíveis a olho nu logo no momento da inauguração), quer em Oiã-Poente
(inexistência de quadros nas salas, sejam convencionais ou interactivos,
inexistência de vedação exterior, sejam gradeamentos sejam portões, ao que
consta, inexistência de baixada eléctrica definitiva).
Desconhece-se o
grau de participação neste tipo de actuação das entidades com responsabilidade
na área, sejam ao nível do licenciamento da obra (Centro de Saúde, Protecção Civil,
entre outros) sejam ao nível pedagógico (Conselho Municipal de Educação, Agrupamento
de Escolas e DREC), por forma a que as actividades lectivas possam estar a ser
ministradas em equipamentos ainda por concluir, e que de uma forma específica não
garantem todas as condições pedagógicas e de segurança exigíveis.
As questões são simples:
podem ser ministradas aulas sem quadros nas salas? Não! Mas em Oliveira do Bairro
isso acontece. Podem os professores e auxiliares garantir a segurança dos
alunos que frequentam uma escola cujo espaço de recreio não tem vedação
exterior? Não! Mas este é um facto objectivo no concelho de Oliveira do Bairro.
Confrontado com estas
e outras questões similares na reunião do executivo municipal ontem realizada, o
presidente limitou-se a puxar dos galões que o cargo lhe confere, referindo que
se tratam de questões menores, debitando de seguida a ladainha dos milhões de
euros investidos em espaços com muita luz e muita cor, porque o que
interessa é que o equipamento já esteja inaugurado e em funcionamento: faltou a
sensatez e humildade para reconhecer que, afinal, o polo escolar de Oiã-Poente
anteontem inaugurado está dotado de salas de aula sem quadros, de biblioteca sem
livros, de cozinha que não é para ser utilizada, de climatização que não pode
ser accionada para não consumir energia eléctrica e de uma zona de recreio sem
vedação que a isole do pinhal adjacente.
Importa que se diga que à hora que era feita esta
estranha apologia do sucesso e do rigor, era já do conhecimento do presidente da câmara e
dos serviços técnicos da autarquia, que a irrequietude própria de uma das 34 crianças
frequentadoras deste polo escolar tinha conduzido ao seu desaparecimento, alegadamente para
parte incerta e durante umas horas, movida pela curiosidade de ver o que está
para além da ainda inexistente vedação do recreio, lançando o pânico em em toda a comunidade educativa, especialmente entre os pais e encarregados de educação que, por isso mesmo, não podem de forma alguma estar descansados quanto à segurança dos seus filhos e educandos.
Ao silenciar este facto, o presidente da câmara
deixou bem vincada a sua concepção do mundo e das coisas, e principalmente o
respeito que, afinal, continua a demosntrar que não tem pelas pessoas, que para si nunca estão primeiro ou antes do que quer que seja; ao omitir esta realidade, o presidente
da câmara deixou bem evidente a sua opção pela defesa do seu interesse
eleitoralista em detrimento do interesse público que lhe compete defender, apressando de forma claramente irracional a inauguração de um
equipamento privado das mais elementares condições de segurança das crianças
frequentadores do referido pólo escolar.
Nada de mais, afinal, se nos lembrarmos que já o Juízo Criminal de Oliveira do Bairro deu como não provado que o presidente da câmara se trata de pessoa que goza de elevada credibilidade, sobejamente reconhecida entre os seus concidadãos, gozando do mesmo modo de bom nome e de alto decoro, dedicando-se à vida da autarquia prosseguindo sempre e apenas o interesse público.
Uma
decisão que, sem pasmar, também foi confirmada pelo Tribunal da Relação de Coimbra.
E quando assim é, pouco ou nada há a dizer…

