terça-feira, 9 de julho de 2013

O DILEMA DA NOVA AVENIDA DE OLIVEIRA DO BAIRRO - PARTE V (AS DÚVIDAS QUE NUNCA FORAM ESCLARECIDAS)

Tendo em conta a ténue informação que passou para a esfera pública, foi de forma praticamente natural que as dúvidas se foram suscitando, dúvidas estas que por nunca terem merecido da parte da câmara municipal a atenção devida, em muito contribuíram para que alguma confusão de ideias rapidamente se espalhasse pela opinião pública.

Importa por isso recuar ao dia 26 de Agosto de 2008, data em que se realizou uma sessão partidária promovida pela JSD e dirigida a militantes e simpatizantes do PSD, na qual foram publicamente apresentadas as características gerais do projecto e os objectivos específicos de cada um dos 5 troços em que o mesmo se divide.

Desde logo algumas questões se suscitaram, que nunca foram devidamente esclarecidas.

Em relação ao Troço 1 (à data configurado entre o Quartel dos Bombeiros e a Capela do Senhor dos Aflitos) nunca foi explicada a razão da inexistência de separador central, sendo certo que, à excepção de duas cujos proprietários nunca terão sido contactados para o efeito, foram negociadas todas as demais parcelas necessárias para a sua implantação.

Por sua vez, no troço 2 (à data configurado entre a Capela do Senhor dos Aflitos e a sede da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo), surgiu dúbia a intenção de implantação de separador central, uma vez que a descrição dos objectivos deste troço não o contemplava, contrariamente ao que se inferia do desenho paralelamente apresentado; de todo o modo, o dito desenho não previa a existência deste separador central na totalidade do troço, mas apenas entre o Quartel da GNR e a sede da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo.

Posteriormente, em 17 de Maio de 2012, realizou-se uma sessão pública, inserida no âmbito do ‘Projeto Viva a Alameda’ dirigida a todos os cidadãos que pretendessem conhecer o dito projecto.

Da apresentação então efectuada, ficou patente uma alteração em relação à apresentação anterior: a alteração dos troços 1 e 2, passando o troço 1 a ser configurado entre o Quartel dos Bombeiros e o Quartel da GNR, ou seja, o único troço que não contempla a implantação de separador central.

Entretanto, e embora não constando de nenhuma das apresentações efectuadas, algumas outras alterações se foram verificando no terreno, designadamente quanto à localização de ilhas ecológicas e à introdução de pista ciclável.

Ora, se a informação disponível nunca foi abundante, não pode deixar de perceber-que que as dúvidas, nunca explicadas, emergentes da parca informação existente, muito contribuíram para o surgimento de um movimento de oposição ao decurso normal da obra por parte dos proprietários e comerciantes, cujos prédios e estabelecimentos confinantes, invocando o desconhecimento do projecto.

Como se sabe, a história dos povos está relatada de forma física nas suas cidades, que representam através dos seus monumentos, das suas ruas, praças e avenidas, jardins e todos os seus edifícios de uma maneira geral, aquilo que é memória do passado, a vida presente e o seu projecto de futuro.

A qualidade urbana pode assim ser sinónimo da qualidade da maioria dos aspectos que caracterizam a vida dos cidadãos, numa extensão que percorre a qualidade da habitação, da segurança, da mobilidade, da fruição dos espaços, da socialização das pessoas, da qualidade dos sistemas de abastecimento, etc.

E assim, ainda que outra razão não houvesse, só esta já seria bastante para a realização de um debate público sobre a regeneração urbana da cidade de Oliveira do Bairro devesse ter acontecido na fase preparatória do projecto, na qual, para além da reflexão sobre a problemática e estado da qualidade urbana da cidade, também tivesse sido possível a apresentação de bons exemplos, levados a cabo em cidades portuguesas cujas intervenções foram consideradas das melhores práticas a nível europeu.

Face a este conjunto de omissões, não se materializou uma desejada interacção entre o processo de transformação da cidade e a população, por forma a que a dita transformação pudesse ter tomado na devida conta as debilidades existentes, ajustando-se à percepção e desejos da população, constituindo-se assim como uma resposta eficaz aos problemas identificados e qualificados no seu desenho final, continuando e reforçando o simbolismo e afectividade que esse espaço encerra para a cidade e para os seus habitantes.

O que terá, em suma, falhado na concepção e execução da obra, foi a menorização da política de proximidade, a qual exige e impõe o chamamento dos munícipes a pronunciarem-se sobre os instrumentos de planeamento estratégico, que digam respeito às grandes decisões que envolvam as freguesias ou a cidade, os quais, pelo seu carácter estruturante, têem que ser alvo de profunda e participada reflexão pública, uma vez que são orientadores da acção governativa.

(5/7 - continua)