segunda-feira, 3 de junho de 2013

PERDOAR-ME

Nem sempre as minhas ações estão de acordo com o que sou. Umas vezes pela vontade de impedir o bem; outras, pela de permitir o mal. Quase sempre por medo.

O principal dano das minhas culpas recai sobre mim mesmo, uma vez que transgrido a mais 
essencial de todas as leis de que faço parte: o meu projeto íntimo de felicidade.

A culpa é um estado de dívida que visa ser saldado por uma pena que, justa, reponha o homem de novo a caminho do seu destino.


Porque o passado é, por essência, inalterável, sobra o tempo que se tem por diante. O arrependimento é a firme disposição de mudar o futuro para remissão da falta cometida.

Estamos condenados ao arrependimento, somos livres e erramos, e este sofrimento voluntário é a única forma de purificação realmente eficaz... Embora a culpa só desapareça com o perdão de todos os que prejudicámos... e a tentação do mal esteja sempre por perto, depois da penitência até mais do que antes... mas também é verdade que, como o disse S. Catarina de Sena, “o mal é fraco porque só pode aquilo que eu lho permitir.”

A coragem com que me disponho a redimir-me da culpa, que honestamente assumo, determina a minha paz, o meu valor... o que sou.

Há culpas maiores que outras, mas nenhuma se transpõe abanando-lhe os ramos, o que importa mesmo é arrancá-las pela raíz. Ainda que trema o chão que nos segura os pés.

Só eu sou causa da minha decadência e apenas eu me posso resgatar dela. Porque, afinal, só eu posso ser o herói da minha vida. Quando for capaz de, apesar do medo, me fazer maior que os meus erros.

José Luís Nunes Martins, aqui