domingo, 24 de fevereiro de 2013

O RIDÍCULO DE UMA LEI


Hoje, vou falar de leis que os deputados da AR, que nos ficam bem caros pela sua quantidade e pelos almoços que, sendo suculentos, lhes saem ao preço da chuva, pela leviandade como as tecem

Há pouco, com o afã de baixar a economia paralela, impuseram a emissão de factura em todos os estabelecimentos, lei que por outro lado impõe a obrigação do consumidor pedir a respectiva factura, sob pena de multa. 

Quando se fala que o fisco anda por aí à porta dos estabelecimentos ou nas feiras a pedir lhe seja mostrada a factura de um simples pé de alface e a perguntar por factura a mulher que foi à terra buscar um molho de grelos para a ceia, o mesmo não acontece na AR, onde no geral os deputados se baldam ao cumprimento do lei. 

Esse (mau) exemplo correu mundo. Dos deputados interrogados sobre essa obrigação só um disse que sim, pedia (não sei francamente se era ou não da Esquerda), enquanto outros disseram que nem sempre, alguns que nunca, e até um confessou não saber que a lei já tinha entrado em vigor… Se isto não pertence ao anedotário nacional, pelo menos mostra que alguns políticos andam a chuchar connosco. 

Há mesmo quem defenda que os do fisco merecem má cara e má resposta dos inquiridos, porque ninguém está interessado em denunciar os comerciantes e muito menos é líquido que isso seja constitucional. Quem anunciou fazer essa maldade com os do fisco foi o ex-secretário da cultura, José Viegas, que escreveu ao Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, dizendo claramente que, se o fisco lhe pedir a factura, terá de lhe dizer que “vá tomar no cu ou em alternativa que peça a minha detenção por desobediência” (ai se a meda pega!) em função de lei absurda e tão ridícula, que vem ainda complicar mais a vida aos de baixo (agricultores, por ex.), quando não há leis apertadas para “punir” os grandes que fogem ao fisco ou o driblam. 

Com esta obsessão de ir buscar dinheiro até aos buracos mais escondidos ou mais expostos (o IVA), se o bordel for obrigado a passar factura para o fisco andar a “cheirar”, pobres das que actuam à sombra de pinhais ou eucaliptais. 

Têm de juntar a outros adereços o livrinho. A crise empurra-as para esta “vida” e o Estado vai cobrar-lhes depois pela dupla miséria.

Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 21 de Fevereiro de 2013