Hoje, vou falar de leis que os deputados da AR, que nos
ficam bem caros pela sua quantidade e pelos almoços que, sendo suculentos, lhes
saem ao preço da chuva, pela leviandade como as tecem.
Há pouco, com o afã de
baixar a economia paralela, impuseram a emissão de factura em todos os
estabelecimentos, lei que por outro lado impõe a obrigação do consumidor pedir
a respectiva factura, sob pena de multa.
Esse (mau) exemplo correu
mundo. Dos deputados interrogados sobre essa obrigação só um disse que sim, pedia
(não sei francamente se era ou não da Esquerda), enquanto outros disseram que
nem sempre, alguns que nunca, e até um confessou não saber que a lei já tinha
entrado em vigor… Se isto não pertence ao anedotário nacional, pelo menos
mostra que alguns políticos andam a chuchar connosco.
Há mesmo quem defenda que
os do fisco merecem má cara e má resposta dos inquiridos, porque ninguém está
interessado em denunciar os comerciantes e muito menos é líquido que isso seja
constitucional. Quem anunciou fazer essa maldade com os do fisco foi o
ex-secretário da cultura, José Viegas, que escreveu ao Secretário de Estado dos
Assuntos Fiscais, dizendo claramente que, se o fisco lhe pedir a factura, terá
de lhe dizer que “vá tomar no cu ou em alternativa que peça a minha detenção
por desobediência” (ai se a meda pega!) em função de lei absurda e tão ridícula,
que vem ainda complicar mais a vida aos de baixo (agricultores, por ex.), quando
não há leis apertadas para “punir” os grandes que fogem ao fisco ou o driblam.
Com
esta obsessão de ir buscar dinheiro até aos buracos mais escondidos ou mais
expostos (o IVA), se o bordel for obrigado a passar factura para o fisco andar
a “cheirar”, pobres das que actuam à sombra de pinhais ou eucaliptais.
Têm de
juntar a outros adereços o livrinho. A crise empurra-as para esta “vida” e o
Estado vai cobrar-lhes depois pela dupla miséria.
Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 21 de Fevereiro de 2013
