Fanatismo (do francês
"fanatisme") é o estado psicológico de fervor excessivo,
irracional e persistente por qualquer coisa ou tema.
É extremamente frequente em paranóides,
cuja apaixonada adesão a uma causa pode avizinhar-se do delírio.
Em psicologia,
os fanáticos são descritos como indivíduos especialmente dotados de agressividade,
preconceitos vários, estreiteza mental, extrema credulidade quanto ao próprio
sistema, com incredulidade total quanto a sistemas contrários, ódio, subjetividade
de valores, intenso individualismo e demora excessivamente prolongada em
determinada situação ou circunstância, marcada pelo radicalismo e por absoluta
intolerância para com todos os que não compartilhem as suas predilecções.
De um modo geral, o fanático
tem uma visão-de-mundo maniqueísta, cultivando a dicotomia bem/mal,
onde o mal reside naquilo e naqueles que contrariam seu modo de pensar,
levando-o a adoptar condutas irracionais e agressivas que podem, inclusive,
chegar a extremos perigosos, como o recurso à violência para impor seu ponto de
vista.
Tradicionalmente, o
fanatismo aparece associado a temas de natureza religiosa ou política, porém,
mais recentemente, ele se tem mostrado também no cenário desportivo.
Vem isto a propósito dos comentários finais ao resultado do jogo de futebol ontem realizado entre o Sporting e o Benfica.
Depois de se terem livrado de duas cabazadas seguidas,
(ontem com os vizinhos da segunda circular e na quarta-feira passada com a
equipa preferida do respectivo míster), seis milhões (pelo menos!) de papoilas
saltitantes lideradas por esse expoente máximo do fanatismo entronizado como paineleiro do programa 'O Dia Seguinte', deram ontem continuação à procissão
de enterro entoando uma já gasta ladaínha: "fomos prejudicados",
"este jogo fica marcado por decisões que lesaram o maior clube do mundo”
(e arredores), "este campeonato fica manchado por erros da arbitragens
contra o SLB".
A tudo isto se soma a resposta que não foi dada à pergunta,
pertinente, colocada por um jornalista estrangeiro sobre o deve / haver dos
erros das arbitragens no final de cada campeonato.
Trata-se, no entanto, de um registo de mal-agradecidos que,
como é timbre funciona de um modo peculiar e que nem carece de grande esforço
para evidenciar, bastando referir mei dúzia de situações:
1)
lembram vezes sem conta o 3º golo do FCPorto na Luz,
mas esquecem, entre outras coisas, a inexistente falta marcada ao Djalma de que resultou o seu 2º golo nesse jogo, e principalmente a expulsão do Maxi Pereira que ficou por
fazer mesmo no final do encontro;
2)
recordam o penalty que Soares Dias não marcou no 1º
minuto de jogo de ontem mas varreu-se-lhes das cabeças o 2º penalty que o Garay cometeu na mesma
partida;
3)
evocam um penalty a seu favor no jogo contra a Académica
de Coimbra, mas esquecem o descarado voo para a piscina do Nolito no Estádio dos
Barreiros;
4)
alegam dualidade de critérios em Guimarães, mas não
falam do golo do empate que marcaram em flagrante fora-de-jogo em Barcelos;
E já nem vale a pena falar na vitória que obtiveram perante o Paços de
Ferreira (que acabou com 9) num jogo em que Maxi Pereira e Bruno César ficaram
inexplicavelmente em campo depois de terem feito mais do que o suficiente para
tomar banho mais cedo, especialmente o lateral direito que nem sequer deveria
ter entrado em campo se tivesse sito expulso no final do jogo anterior, com o
FCPorto na Luz, por agressão a James Rodriguez.
Voltando ao jogo de ontem, só o desespero e a total perda da noção do ridículo, o sacudir a água do capote, pode levar alguém a dizer que um possível penalty, no 1º minuto (!), pode ser decisivo. E nos outros 89, não houve jogo? Houve! Jogaram alguma coisa? Não!
Haja decoro!
Já não há paciência para fanatismos bacocos...