segunda-feira, 9 de abril de 2012

FINANCIAR QUEM PRECISA E QUEM PODE PRODUZIR

Não há dúvida que nos saiu a fava quando vemos ultrapassar a barreira dos 15% no desemprego.

O elevado desemprego é a pior consequência da situação para que os portugueses foram arrastados por sucessivos governantes, que no mínimo, nunca leram e meditaram sobre a fábula da cigarra e da formiga de Jean la Fontaine.

Com este nível de desemprego, que todos sentimos porque conhecemos alguém na família ou ao nosso lado que desespera nessa situação, é impossível não confabularmos alternativas.
Mas o que mais dói é o desemprego jovem elevadíssimo pois significa que educámos sem objetivo para dar futuro.
Por isso é urgente que se promova financiamento às pequenas empresas, que são a mola verdadeiramente real do nosso desenvolvimento, para evitar ainda mais desemprego. Todos os parceiros sociais reclamam o atraso de medidas de emprego e de ativação da economia, que dizem estar organizadas e negociadas desde janeiro e que tardam em ser regulamentadas.
Também ninguém de bom senso acha que algum governo do mundo apenas goste de decretar austeridade. Mas em algum momento é preciso tomar medidas. Penso, não concordando com tudo, que pelo menos existe vontade do atual governo em mexer. Começa é a tardar.
Por isso foi importante o alerta vindo do insuspeito Dr Rui Rio. Fiquei verdadeiramente perplexo com a possibilidade anunciada de a Caixa Geral de Depósitos financiar a compra de ações (dita OPA) da BRISA pelo grupo financeiro Mello. Não porque um grupo empresarial não deva dar sinais de vitalidade e defender os seus interesses numa empresa tão importante como a BRISA, que por desvalorizada, pode ser alvo de compra por grupos estrangeiros. O que é incrível é que seja o estado a financiar estas operações via CGD.
Não sejamos todos parvos para acharmos que os governantes foram apanhados de surpresa com dita independência da gestão da CGD. O Banco do estado devia estar focado a financiar as pequenas e médias empresas que fazem a economia real e não a emprestar dinheiro para comparar ações de que a CGD tem tão mau registo no passado como se comprova no caso BCP.

António Granjeia, no 'Jornal da Bairrada' de 5 de Março de 2012