Não há dúvida que nos saiu a
fava quando vemos ultrapassar a barreira dos 15% no desemprego.
O elevado desemprego
é a pior consequência da situação para que os portugueses foram arrastados por
sucessivos governantes, que no mínimo, nunca leram e meditaram sobre a fábula
da cigarra e da formiga de Jean la Fontaine.
Com este nível de desemprego, que todos
sentimos porque conhecemos alguém na família ou ao nosso lado que desespera
nessa situação, é impossível não confabularmos alternativas.
Mas o que mais dói
é o desemprego jovem elevadíssimo pois significa que educámos sem objetivo para
dar futuro.
Por isso é urgente que se
promova financiamento às pequenas empresas, que são a mola verdadeiramente real
do nosso desenvolvimento, para evitar ainda mais desemprego. Todos os parceiros
sociais reclamam o atraso de medidas de emprego e de ativação da economia, que
dizem estar organizadas e negociadas desde janeiro e que tardam em ser
regulamentadas.
Também ninguém de bom senso
acha que algum governo do mundo apenas goste de decretar austeridade. Mas em
algum momento é preciso tomar medidas. Penso, não concordando com tudo, que
pelo menos existe vontade do atual governo em mexer. Começa é a tardar.
Por isso foi importante o alerta
vindo do insuspeito Dr Rui Rio. Fiquei verdadeiramente perplexo com a
possibilidade anunciada de a Caixa Geral de Depósitos financiar a compra de ações
(dita OPA) da BRISA pelo grupo financeiro Mello. Não porque um grupo
empresarial não deva dar sinais de vitalidade e defender os seus interesses
numa empresa tão importante como a BRISA, que por desvalorizada, pode ser alvo
de compra por grupos estrangeiros. O que é incrível é que seja o estado a
financiar estas operações via CGD.
Não sejamos todos parvos para acharmos que
os governantes foram apanhados de surpresa com dita independência da gestão da
CGD. O Banco do estado devia estar focado a financiar as pequenas e médias
empresas que fazem a economia real e não a emprestar dinheiro para comparar ações
de que a CGD tem tão mau registo no passado como se comprova no caso BCP.
António Granjeia, no 'Jornal da Bairrada' de 5 de Março de 2012
António Granjeia, no 'Jornal da Bairrada' de 5 de Março de 2012