Faleceu hoje em Oiã, um homem que não alinhava com o politicamente correcto e que dedicou parte da vida ao serviço público sem nunca ter mudado de convicções, as mesmas de há dezenas de anos, pelas quais lutou sempre, num percurso imaculadamente linear e desde sempre marcado por uma absoluta firmeza de carácter e pela frontalidade que colocava na defesa das suas convicções, assentes em princípios inabaláveis e de coerência determinada, em suma, um modelo de ética social que o fez retirar-se da política activa quando se apercebeu que este não era o seu mundo.
Recordo com particular emoção, a sua intervenção de despedida da política activa quando, em plena sessão da assembleia municipal de Oliveira do Bairro disse o que lhe ia na alma em relação à política e aos partidos, e que se iria retirar porque não se revia na politiquice menor.
Não me lembro de alguma vez lhe ter faltado coragem para enfrentar aqueles com quem estava em desacordo, não me lembro de o ver deixar de dizer aquilo que entendia ser seu dever dizer, não me lembro que alguma vez tenha cedido nos seus princípios em troca do que quer que fosse.
Detentor de um impressionante curriculum de intervenção e cidadania, nunca me foi indiferente na inteligência e na argumentação com que se batia por aquilo em que acreditava, nem na força que irradiava nos combates que o vi travar.
Entendeu o destino reservar-lhe a partida na data da passagem do 25º aniversário de José Afonso; o Dr. Fernando Peixinho merecia esta coincidência.
E porque tinha pelo Dr. Fernando Peixinho o maior respeito e admiração como pessoa de bem, devo-lhe esta homenagem.
Até um dia.
