Durante meses, o governo português fez peito e vendeu a mensagem: queremos ir além da troika!
E quando alguém lançava a tentação – e que tal mais tempo? e mais dinheiro? – o primeiro-ministro não cedia às sereias: amarrado ao mastro da austeridade, proclamava que não era preciso.
Esta odisseia esbarrou com a conversa indiscreta entre o ministro das Finanças português e o seu homólogo alemão. Flexibilizar o nosso programa de ajustamento? Com certeza, disse Schäuble, perante um Vítor Gaspar grato e submisso.
Moral da história? O mesmo país que foi aceitando a austeridade porque só podia ser assim é precisamente o mesmo que agora sabe que não tem de ser assim. Mais tempo, mais dinheiro, um perdão parcial da dívida – quem é o governo para dizer que não quando até os alemães já dizem que sim?
Um minuto de conversa entre Gaspar e Schäuble bastou para estilhaçar a estratégia do governo e a resignação dos portugueses
João Pereira Coutinho, aqui
