A Recer está preocupada com a escalada dos preços do gás natural e da eletricidade.
Segundo Daniel Santos, diretor de marketing da Recer, “a empresa tem vindo a assistir a um aumento brutal dos preços, nomeadamente da energia e não pode ficar calada num momento em que se assiste à asfixia do tecido industrial, aparentemente em benefício dos cartéis, que atuam impunemente como donos da economia nacional”.
O diretor de marketing diz não ter dúvidas de que, “se nada for feito, as paragens da produção e desemprego são consequências inevitáveis”.
Daniel Santos explica que “o custo do gás natural aumentou 50% num período de oito meses e a eletricidade teve aumentos entre 15 a 30% para as empresas”, garantindo que “uma parte significativa destes aumentos ou nalguns casos a sua totalidade, não têm justificação credível”.
Dúvidas.
As interrogações que se levantam são ainda mais pertinentes, quando sabemos, no caso do gás natural, que se assiste a nível internacional a um excesso de produção e da oferta e, consequentemente, a uma baixa de preços significativa. Quem responde a este paradoxo?”, questiona Daniel Santos, afirmando que “sobem os custos de transporte, sobem as matérias-primas e por isso a pergunta que se impõe é a de saber se a indústria nacional consegue manter a competitividade necessária para realizar o desígnio do aumento das exportações, tão necessário para a recuperação da economia portuguesa”.
Consequências.
Daniel Santos afirma ainda que, “no mercado interno, pouco se tem feito para reanimar a procura no setor da construção, designadamente na área da reabilitação urbana. Por tudo isto, existe hoje um sentimento de apreensão na indústria nacional”. Assim, afirma não ter dúvidas de que “se nada for feito, não tenhamos ilusões: paragens da produção e desemprego são consequências inevitáveis”. “É tempo de unirmos esforços para estimularmos a criação de riqueza e de emprego”, acrescenta, afirmando que “nada ficará como dantes se o país perder a sua indústria transformadora e se ficar mais dependente das importações, já que pode vir a ser uma salvaguarda fundamental da independência nacional, produzirmos os bens essenciais de que necessitamos”.
Pedro Fontes da Costa, no 'Jornal da Bairrada' de 19 de Janeiro de 2012
