Medina Carreira costuma dizer que só um louco ou um irresponsável investe em Portugal.
Tem razão. Acontece que, por enquanto, ninguém lhe dá ouvidos. Talvez daqui a uns anos, quando o país empobrecer de vez, as luminárias que insistem em manter este desgraçado regime lhe dêem razão, a exemplo do que se passou com o descalabro das contas públicas.
E não é só o miserável estado da justiça que afasta os investidores. Nem apenas a enorme carga fiscal que atinge quem imagina fazer negócios nesta pátria. Há muitos e variados factores que impedem a economia de crescer e sobreviver a crises como a que está a devastar Portugal e a Europa.
A burocracia é uma delas. Violenta, corrupta, que, como todas as burocracias, existe para justificar uma multidão de empregos no Estado. Opressora, castradora do investimento e do negócio, tem como princípio basilar desconfiar de tudo o que tem dinheiro, de todos os investidores, de quem sonha montar um negócio. Por norma, a burocracia estatal considera suspeita qualquer pessoa ou entidade que se propõe ganhar dinheiro neste pobre país.
A história não de hoje. É de ontem, com a ditadura salazarenta e o proteccionismo dos medíocres, é de ontem e de hoje com a esquerda a odiar o capitalismo, o investimento privado, o negócio e o lucro. E também é de uma direita incapaz de impor as suas políticas e as suas reformas para dar cabo deste estado de coisas. As promessas são muitas, as expectativas enormes. Espera-se que 2012 seja não só um ano de crise e recessão como do início de um novo Estado amigo do investimento e da economia privada. Para isso é preciso não ter contemplações com os muitos mitos que aprisionam o regime.
Como a Concertação Social, obsoleta e castradora de todas as reformas. Com sindicatos e confederações patronais que não se adaptaram aos novos tempos e tentam por todos os meios evitar e mesmo sabotar as mudanças. Com sindicatos e confederações cheios de direitos adquiridos e vazios de ideias inovadoras e progressistas para a sociedade e a economia. As reformas são exigentes, duras e exigem pessoas corajosas que ponham na ordem uma ASAE que ainda não percebeu o país, a economia e segue as estúpidas regras impostas não só pela burocracia europeia como pelos zelosos burocratas nacionais que atiram dezenas de pessoas para o desemprego apenas porque num restaurante há música e os clientes querem dançar.
As reformas exigem coragem para pôr na ordem organizações ambientalistas que gritam como desalmados sempre que se constrói um hotel, uma barragem e choram lágrimas de crocodilo quando o governo consegue junto da burocracia de Bruxelas aumentar as quotas de pescas de Portugal. Esta gentinha não quer saber das pessoas, do desemprego e da economia. Esta gentinha não percebe que antes de tudo o mais estão as pessoas e a dignidade de poderem trabalhar e ganhar dinheiro para serem livres e independentes.
É por isto tudo que é preciso andar depressa e não ligar aos que ladram sempre que alguém ousa atirar para o lixo com os mitos e os dogmas politicamente correctos.
António Ribeiro Ferreira, aqui
