Se existe algo que nos diverte a nós mulheres é o apelidado "jantar de gajas".
Neste evento tudo pode acontecer, mas o mais usual é que aproveitemos estar só entre mulheres para beber uns belos copos de vinho ou sangria, e partilhar, de preferência, as mais hilariantes experiências que tivemos no passado, sejam elas recentes (semana anterior) ou um bocadinho mais antigas.
O jantar de mulheres é uma espécie de exorcismo dos males e celebração das alegrias com aquelas com que partilhamos a nossa vida desde há muito.
Nestes jantares só estão presentes as "amigas do peito", que são aquelas que riem connosco, nos limpam as lágrimas quando estamos tristes, nos ouvem até à exaustão e nos levam de casa um fim de semana para nos curar das depressões.
Quando saímos o que importa é o número de gargalhadas que damos, as músicas que recordamos a dançar até as sandálias saltarem dos pés e a cumplicidade quando um olhar basta para saber o que a outra pensa ou sente. Trocamos alguns copos e cigarros e apreciamos aquilo que melhor a vida tem- a amizade.
É certo que é preferível que o local esteja povoado pelo menor número de cro-magnons (vulgo pintas), de forma a não invadirem o nosso espaço, mas mesmo quando aparecem é praticamente impossível estragarem a diversão.
Se os homens pensam que nós, mulheres, não conseguimos ser amigas verdadeiras e companheiras desenganem-se, porque só mesmo junto delas somos capazes de nos vestir sem maquilhagem, andar despenteadas e confessar que usar "cuecas saco de pão" não é sexy mas pode ser confortável em certas alturas
As amigas deixam-nos dormir quando sabem que acordadas podemos chorar e de manhã fazem-nos um pequeno almoço reforçado. Se não chover levam-nos para a praia, e dizem disparates para nos obrigar a rir quando o coração dói mais. Se o tempo for mais frio que a temperatura do coração vêem connosco uma comédia romântica e choram ao nosso lado, criticando ainda mais quem nos partiu o coração ou nos fez perder o emprego.
As amigas são como o outro lado do espelho, com a vantagem das conseguirmos abraçar e saber que não precisam falar nem dizer, eu bem te avisei. É com elas que nos enchemos de bolinhos e doce, comemos litros de gelado de chocolate e bebemos litradas de chá de cidreira.
Os filhos das nossas amigas são nossos sobrinhos, porque elas são nossas irmãs, e até um bocadinho mães, quando nos dizem aquelas verdades que não gostamos de ouvir. Perdoamos sempre, porque as amigas do peito são mesmo imprescindíveis, mesmo que já nos tenhamos magoado em algum espaço temporal.
É do gato das nossas melhores amigas que cuidamos, quando sabemos que precisam de tempo com o novo namorado. Só a elas pedimos que cuidem do nosso quando vamos de férias com a cara metade.
Com as amigas verdadeiras não nos importamos de gastar o saldo do telemóvel, se bem que optámos por ligar para o telefone fixo gratuito, porque sabemos que as conversas são como as cerejas e não podem ficar interrompidas a meio.
Já dizia a Cindy Lauper..."Girls just want to have fun", eu digo o que seria da minha vida sem elas
Sofia Rijo, aqui
