Esta semana, não faltam temas, cada qual o mais doloroso.
É o mês de Setembro que chega e com ele a abertura das escolas e o que isso significa de assustador e pesado para as bolsas da maioria das famílias no que toca aos custos dos manuais escolares, mochilas e material didáctico.
Mas não só. É o mês em que os cidadãos têm de pagar o IMI, com língua de palmo, porque as câmaras, tão perdulárias, viram nesse imposto uma gorda fonte de receita para obras (algumas, megalómanas), folclore e foguetes.
Assim é que algumas (só 24?) já estão falidas e andam a ser espiadas pela troika. Tudo fruto de má gestão, de carradas de funcionários que se atropelam uns aos outros. Nisso não são diferentes dos governos. O de Passos Coelhos já nomeou cerca de meio milhar, um pouco menos que Sócrates, quando suposto era que começasse a cortar aí a gordura do Estado, desígnio que está difícil. Em vez de começar pelas empresas público-privadas, institutos, fundações, grandes sorvedouros do nosso dinheiro, começa, por legislação a fazer, por encerrar todas as empresas camarárias falidas e criar regras para as restantes.
É um pequeno passo, mas tão curto. De curto passo, estão os super ricos em Portugal que não se sentem solidários, recusam-se a pagar a crise. Não estão pelos ajustes com a taxação especial. Como alguns são simples “assalariados” como Américo Amorim, não abunda dinheiro ao fim do ano para tal peditório. Pelos vistos, o resultado serão migalhas.
O dinheiro tal como o património de muitos ricos já cá não mora. Em face desta situação, Cavaco lança uma sugestão: carreguem-se os cidadãos com taxa sobre heranças e doações, ofensivo da memória de gente que fez pela vida, esquecendo que muitos trabalharam para esse pecúlio, e que, por vezes, tanta chatice têm para haver os bens. Sempre a classe média e os remediados na mira da marreta e dos marretas.
Armor Pires Mota, no 'Jornal da Bairrada' de 25 de Agosto de 2011
