A menos de um mês das eleições, numa conjuntura de grande exigência no plano internacional - e quando forçada a demissão do Governo, foi já apresentado o memorando de assistência financeira a Portugal com o objectivo central de redução do défice para 3% do PIB em 2013 - de todos os partidos políticos espera-se um claro posicionamento que permita responder aos desafios essenciais do país, no curto e no médio prazo.
Em particular no singular contexto europeu em que, como afirmava Mário Soares há dias num artigo de opinião que intitulou "Alerta europeus!", "os grandes valores europeus, como a unidade e a solidariedade, estão, como dizemos, pelas ruas da amargura". É que ante uma crise financeira mundial (apenas comparável à crise de 1929, pelo impacto que teve - e continuará a ter - em países e regiões do planeta) que atingiu fortemente o nosso país, com previsíveis efeitos sociais penosos, um dos grandes desafios do próximo Executivo será o de, acompanhando a implementação do referido memorando, procurar estar sempre vigilante em relação aos impactos sociais das medidas.
Neste contexto, importará - acautelando um imprescindível equilíbrio social - defender para Portugal um desenvolvimento sustentável, quer assegurando crescimento económico quer salvaguardando coesão social, mediante uma indispensável acção de um Estado social moderno e eficiente e de políticas públicas laborais que não facilitem o desemprego (mas sim a manutenção e criação de emprego) e que valorizem a solidariedade social. O desafio do crescimento económico exigirá do futuro Governo sobretudo um discurso que transmita confiança aos agentes económicos - essencial, aliás, também para manter o emprego, pois recorde-se que em Portugal, entre 2002 e 2005, um discurso institucional muito centrado na redução do défice retraiu a confiança, levando a um aumento acentuado da taxa de desemprego, de 4,1%, em 2001, para 7,7%, em 2005 (taxa que em 2008, antes da crise internacional, era ainda de 7,7%). E exigirá, como não poderá deixar de ser, a defesa do sistema público de Segurança Social, dos sectores económicos de interesse estratégico nacional, e a defesa da prossecução do crescimento das exportações, assim como do esforço de diminuição da dependência externa, tanto ao nível do agro-alimentar como ao nível energético (continuando a bem sucedida aposta nas energias renováveis).
Glória Rebelo, aqui