Direcção Nacional da polícia quer diminuir gastos com água, electricidade, papel, telefone e combustível. A partir de agora, agentes só podem ligar o televisor para ver as notícias.
Os televisores vão passar a estar desligados nas esquadras da PSP. Os agentes apenas podem ligar a TV para ver notícias. Vai acabar o correio postal, os telefones serão usados só em casos excepcionais e até os carros da patrulha serão lavados com a água da chuva. Estas são algumas das mais de 50 medidas que a Direcção Nacional da PSP distribuiu pelos comandos regionais e metropolitanos no sentido de se cortar nas despesas e aumentar as receitas.
"Não passa de uma manobra de diversão porque há outras formas inteligentes de se poupar dinheiro", afirmou ao DN Armando Ferreira, presidente do Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) que considera que a parte operacional da PSP poderá ser afectada por estas medidas, sendo "perigoso que o Governo deixe que isso aconteça".
A receita não aumentará "porque, por ano, vários milhões de euros são desperdiçados". Armando Ferreira não tem dúvidas onde os cortes deveriam ser feitos. "A nossa proposta era anular a graduação a oficiais que recebem dois postos hierárquicos acima do que é o seu posto e acabar com o uso de viaturas de serviço", acrescenta. São 50 os automóveis descaracterizados que, de acordo com o sindicato, são frequentemente utilizados de forma abusiva por oficiais para as deslocações a casa ou durante os fins-de-semana. "Com estas medidas poupa-se dinheiro, mas os cortes não são feitos onde é realmente necessário", salienta indignado Armando Ferreira que contesta as "mordomias e os luxos" e defende a extinção da messe de oficiais.
Para Paulo Rodrigues, da di- recção da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) estas medidas não são mais do que um acto de solidariedade para com a restante função pública e diz ter a "garantia da Direcção Nacional que a parte operacional da PSP não será afectada, nem com a necessidade de se poupar nos combustíveis".
Fonte policial, afirmou, no entanto ao DN, que as medidas de obtenção de receitas passará pelo incremento da fiscalização rodoviária, tendo as directrizes sido comunicadas aos comandos. Até ao final do ano "será desencadeada uma verdadeira caça à multa".
Alfredo Teixeira, aqui
